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Blog Novas Ideias

Quem disse que só tem um jeito?

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Quem disse que só tem um jeito?

A hipocrisia "anti-globista" brasileira toma proporções assustadoras



@wesleytalaveira Diz uma grande amiga minha que hoje mora no exterior: o brasileiro é, se não o mais, um dos povos mais hipócritas do mundo. Condenamos e aprovamos de acordo não com o que acreditamos, mas com nossa conveniência. Apoiamos até o momento em que algo está de acordo com minha opinião, e a partir do momento em que algo está fora da minha visão de mundo, aquilo passa a ser horrível e condenável.

Essa hipocrisia atinge até os lugares mais absurdos, como a forma como o brasileiro vê TV. Sim, há pessoas que assumem uma briga que não é delas e tomam partido a favor de emissora A ou B. No caso a emissora "G", a Rede Globo. Todos os dias uma multidão de pessoas se organizam para criticar a programação da Globo, chamá-la de "alienadora", "manipuladora", "PIG" e etc - aliás, esse tal PIG que os pseudo-esquerdistas criaram é no mínimo hilário. Gente que ainda não descobriu a utilidade do controle remoto critica a programação da Globo, ofende artistas, jornalistas e qualquer pessoa que tenha qualquer ligação com a Rede Globo. Esse texto meu com certeza será muito criticado pelo simples motivo de eu não fazer coro com os críticos, que adoram a Record como "grande libertadora dos meios de comunicação", ignorando o fato de que cerca de 70% dos profissionais da Record vieram da Globo, e alguns já diseram que voltariam no primeiro convite que a Globo fizesse.

Pois bem, essa hipocrisia "anti-globista" vem tomando proporções assustadoras. Por várias vezes vemos pessoas invadindo transmissões ao vivo dos telejornais da Globo para rugir palavras de ódio. Hoje aconteceu algo ainda pior: durante a cobertura do tratamento do ex-presidente Lula no Sírio Libanês a repórter Monalisa Perrone foi atacada por um bando de vândalos violentos que a empurraram gritando qualquer coisa impossível de se entender. A transmissão foi interrompida e depois ela voltou ao ar com a voz embargada, sendo substituída pelo repórter José Roberto Burnier. 

Veja o vídeo:



Qual é o nível de uma pessoa que interrompe o trabalho de um repórter para mostrar ódio contra uma emissora? O que leva uma pessoa a sair de casa num dia frio como hoje em SP e ir até onde a repórter está trabalhando para incitar ódio? Falta do que fazer? Selvageria? Um pouco de cada disso. 

Veja bem: não estou defendendo a Globo nem dizendo que ela é santa. Sei que ela tem o hábito de monopolizar eventos apenas para não disponibilizar para a concorrência, entre outras práticas um tanto duvidosas. Mas quanto à alienação só digo uma coisa: aprenda a usar o controle remoto. Se em determinado canal está passando algo que não gosto de ver, eu mudo de canal. Simples assim. Não preciso sair criticando, ofendendo. Mudo de canal e procuro algo que me interesse. Se nada me interessa eu desligo a TV. É muito difícil?

E mesmo que essa tese da manipulação fosse verdadeira, qual a culpa que o repórter na rua tem disso? O que você acha que irá conseguir mudar na "alienação" globista ao agredir uma repórter na rua? Exceto se mostrar como um tremendo mal educado e deselegante, você não vai conseguir muita coisa. 

Chamamos a Globo de alienadora e etc. Mas os programas dela são líderes de audiência o tempo todo. E quem diz isso não sou eu, é o Painel de Televisão, que já mostrou que a Globo é líder 24 horas por dia. Não gosta da Globo? Não assista! 

Deu pra entender ou quer que desenhe?

O exílio de Marcelo Freixo: o fracasso do Brasil como país desenvolvido




@wesleytalaveira - O deputado estadual pelo Rio de Janeiro Marcelo Freixo (Psol) está se licenciando de seu cargo e deixando o país. Não, ele não está entrando em férias nem licença para tratar de algum problema de saúde. Ele está fazendo isso pra se manter vivo. Sim, como diz um trecho bíblico, ele está "escapando pela própria vida".

Marcelo Freixo foi o relator da CPI das Armas em 2008, que foi a responsável pelo indiciamento de 225 pessoas, entre eles policiais militares, civis, bombeiros e agentes penitenciários. E por conta disso vem recebendo ameaças de morte. Em um mês foram sete ligações anônimas de pessoas prometendo matá-lo por combater o crime. Há um esquema montado por milicianos para matar Marcelo Freixo, a exemplo do que aconteceu com Patrícia Accioli. Ele deixa o país amanhã com a família a convite da Anistia Internacional. O destino não foi revelado - obviamente.

Sim, caro amigo que me lê: vivemos num país onde combater o crime é mais arriscado que viver no crime. Vivemos num país onde o bandido tem mordomias, todas elas defendidas pelos "direitos Humanos" mas pessoas de bem precisam se esconder. Ainda mais se forem pessoas que lutam para defender o bem. E quem tem o poder de mudar essa situação não está nem um pouco interessado nisso. Nossa lei criminal é ultrapassada. Já está mais que provado que ela não protege o cidadão . Pelo contrário, protege a quem deveria punir. Onde vamos chegar?

O exílio de Marcelo Freixo é a prova de que o Brasil fracassou em sua proposta de ser um país desenvolvido e que, assim como os países africanos onde a guerrilha mata milhares de pessoas por dia, somos um país perigoso para se viver. O Brasil, mesmo não tendo guerras civis nem qualquer tipo de conflito étnico ou social, é um país violento. O tráfico mata milhares de pessoas por dia. Andar nas ruas do Brasil se tornou algo arriscado. Os brasileiros são violentos. Matam mulheres, professores, amigos. A ideia de que o Brasil é um país de gente amiga e tranquila é uma ideia falsa. Somos um povo violento, que, quando nós mesmos não praticamos o crime, nos conformamos com o que outros fazem.

Quem tem a oportunidade deve fazer o mesmo que Marcelo Freixo: vá embora antes que seja tarde.

"Queremos resgatar a tradição de qualidade da música britânica". Entrevista com a banda Eutopia



Começar uma carreira musical é algo difícil. Isso é fato. Mais difícil ainda deve ser começar uma carreira musical de forma independente na mesma terra de lendas da música como Beatles, Amy Winehouse, Led Zeppelin, Queen e outros. Eutopia é uma das muitas novas bandas que vem surgindo no cenário musical do Reino Unido, mas com uma diferença: o trabalho deles vem ganhando reconhecimento do público dentro e fora das terras da Rainha. Além dos vários fãs ingleses, já são ouvidos nos EUA e planejam em breve uma viagem à América do Sul.

Idealizada em 2010 por Alexander Kotziamanis, a banda é hoje formada pelo próprio Alexander, que é o vocalista e guitarrista da banda, além de Leah e Luke. A banda Eutopia é hoje uma das grandes inovações da música inglesa, principalmente pela pegada do rock com uma boa dose de eletro e synth, o que resulta num som muito diferente, muito bom de se ouvir. O primeiro single da banda, Shall I Lie tem gerado uma ótima repercussão na internet e está inclusive disponivel para o iTunes. E o álbum Seven, primeiro da banda, já está pronto para ser lançado e em breve entrarão em turnê pelo Reino Unido.

Essa é a primeira vez que a banda Eutopia fala para a América Latina, e é a primeira entrevista internacional do Blog Novas Ideias. Por conta disso, resolvemos publicar a entrevista também em espanhol, para que nossos vizinhos latinos possam acompanhar a entrevista.


Look this interview in english

Ver la entrevista en español




1) Como surgiu a banda Eutopia?
A banda começou a partir do trabalho de Alexandre. Ele escreveu algumas músicas e sentiu que, em vez da carreira solo, ele poderia começar uma banda. A mensagem de sua música foi a positividade, sem perder uma vantagem rock. Ele conheceu Leah em setembro do ano passado e eles decidiram trabalhar juntos no projeto de uma banda. Lucas juntou-se à eles no final de janeiro e com a família completa estamos hoje com nosso trabalho em andamento.


2) Por que o nome Eutopia?
Eutopia significa "um lugar perfeito", o que é obviamente muito positivo. Estamos todos acostumados à palavra "utopia", que é um ideal inatingível. "Eutopia" é um ideal alcançável e possível. Além de que nós queríamos apenas uma palavra, com grandiosidade o suficiente para nos diferenciar das grandes e às vezes pretensiosas bandas britânicas modernas. Achamos que uma palavra pode reunir todo um conceito para a banda. O nome de uma banda deveria dizer algo sobre ela, e "Eutopia" mostra que somos uma ideia refletida em nosso trabalho pessoal e conjunto, bem como na música que fazemos.


3) Quem escreve as música da banda? Qual a inspiração ao escrever?
Alexander escreve as músicas, que tem temas diversos, mas todas são leves e têm um conceito forte. As canções falam de algumas das grandes questões como a fé, política, moralidade e sobre o consumo de drogas. O assunto principal, porém, é o amor. Todas as nossas faixas, até certo ponto são sobre o amor da humanidade, Deus, o outro. A partir disso começamos a viajar...


4) Qual tem sido a receptividade das pessoas às músicas da banda?
Assim como em todas as formas de arte temos os nossos fãs e outros que não estão tão interessados. Devido à diversidade musical a nossa música as vezes trava em alguns tipos de gostos musicais. Nós realmente achamos que podemos dar algo a todos com a nossa música. Temos uma página de fãs no Facebook e nosso site tem um fluxo relativamente constante. Temos fãs em todo o mundo e iremos para a América no próximo ano para visitar nossos fãs.


5) Qual é a principal inovação da banda Eutopia?
Acho que oferecemos algo totalmente original no mercado musical atual do Reino Unido. Usamos uma grande variedade de estilos e combinamos techniue impressionante com puro pop/rock e grandes solos de guitarra. Quisemos afastar-se das progressões de acordes óbvias e trazer de volta os elementos emotivos e cativantes encontrados na música dos anos oitenta que amamos - Bon Jovi, Def Leppard, Trip, Europa, etc. Nossas letras são muito mais do que nossas próprias vidas, elas estão prestes a questões mais amplas. Nós amamos os grandes solos de guitarra e camadas mais complexas de synth e harmonias. No entanto, não queria ir pelo caminho bem percorrido progressiva à medida que sentir que muitas bandas se tornar a técnica para seu próprio bem e do sacrifício dos elementos melódicos que apelar para o mercado de massa. Assim, mantemos nossas melodias simples e cativante. Nós também adicionar algo moderno, alguns elemento "un-Rock'n Roll ", com synths dançantes. Nós amamos os sons rítmicos e a perfeição de sincronismo encontrado na música dançante e conhecemos o impacto de uma melodia de sintetizador muito eficaz.


6) Já se apresentaram fora da Inglaterra? Em quais lugares?
Os componentes da banda já se apresentaram individualmente fora do Reino Unido. Alexander já tocou em vários países europeus. Lucas tem tocado em outros países europeus e Leah fez uma turnêa no Oriente Médio. Como Eutopia, temos grandes planos para os próximos shows começando com uma turnê nos EUA no ano novo.


7) No Brasil, o Mercado para novos talentos tem sido muito promissor. Quase todos os dias vemos novas bandas e novos cantores no cenário musical brasileiro. Como está o mercado para novos cantores / bandas no Reino Unido?
O mercado musical no Reino Unido está sob uma enorme pressão. Programas de TV como Britain Got Talent e X Factor dão a impressão de que qualquer um pode ter sua carreira de sucesso, independente de talento. Se impressionam com essa e ideia e não querem correr riscos. Acabamos vendo carreiras sem longevidade e um pequeno grupo de escritores que fazem letras de músicas para muitos. Ninguém tem tempo para se desenvolver como artista e construir uma forte base de fãs ao mesmo tempo. Você precisa construiur a própria carreira, por conta própria, para só sí as gravadoras se interessarem em você. Com isto em mente, estamos muito felizes com a forma como Eutopia está progredindo, mas entendemos que estamos com um bom começo, e é questçao de tempo para pensarmos numa carreira internacional mais consistente.


8) Vários cantores e bandas que fazem sucesso hoje começaram com vídeos na internet. Qual é o peso da Internet na divulgação do trabalho de vocês?
A internet é, provavelmente, a nossa principal fonte de sucesso musical. A utilizamos para a divulgação e é uma plataforma fantástica para nós, como artistas musicais em uma plataforma global. Fazemos vídeos, temos vários shows ao vivo que são transmitidos on line para fãs que não podem estar presente em nossas apresentações por conta de sua localização geográfica. É uma maneira fantástica para nossos fãs estrangeiros nos verem em ação ao vivo. Fora isso, também temos os nossos próprios vídeos que promovem a Eutopia em outros nichos. Alexander tem suas aulas de "Guitar Arcanjo" no Youtube, onde dá algumas aulas de guitarra. Leah tem um blog, o Synth Owl, que se comunica com os fãs de synth, mas também mantém as pessoas em dia com o que está acontecendo com a banda. Ela também escreve sobre como é ser a única mulher na banda e uma das únicas na indústria do rock em geral.


Banda Eutopia
9) Vocês tem tido dificuldade nesse começo de trabalho? Quais?
A indústria da música é conhecida por ser um dos mais difíceis para se iniciar e, claro, é muito difícil fazer um impacto. Estamos completamente dedicados ao nosso ofício e a divulgação "boca a boca" tem sido a nossa melhor aposta. É surpreendente o que pode acontecer quando as pessoas gostam do que você está fazendo e querem ajudá-lo ao longo de seu caminho. É uma luta para ganhar reconhecimento, mas nossa base de fãs em constante crescimento e os recordes de vendas estão provando que estamos no caminho certo.


10) Quais os próximos projetos da banda? Já tem turnês agendadas?
Bem, o álbum de estréia Seven está completo e está inclusive disponível para o iTunes, para que todos possam desfrutar de nosso trabalho a partir do final de outubro. Temos trabalhado arduamente. Toda a gravação, produção, mixagem e obras de arte foram feitas em casa. Alexander faz a produção e Leah faz as artes. Tem sido um trabalho de amor e estamos muito animados para em breve começar oficialmente a promoção do álbum. Afora isso, estamos planejando uma viagem para Los Angeles em fevereiro, onde estaremos fazendo uma série de entrevistas e cargas de shows ao vivo. Nossa base de fãs norte-americana é grande em comparação com a nossa popularidade aqui em Londres e nós não poderíamos estar mais animado para a nossa primeira turnê internacional. Há muitos mais para vir e esperamos em breve ir à América do Sul.


11) Vocês estão na mesma terra de nomes indiscutíveis do rock, como Led Zeppelin, Queen e outros. Apesar da diferença de estilo de vocês com essas bandas, qual é a influência que elas exercem sobre o trabalho de vocês? Acreditam que a responsabilidade de fazer música no mesmo país de nomes tão conhecidos mundialmente é maior?
Acho que posso dizer com segurança que sem a influência desses pilares da música do Reino Unido nós não fazemos o que fazemos. Os riffs matadores de Led Zeppelin e da diversidade épica do Queen são provavelmente duas das nossas maiores influências. Devido à incrível linhagem musical que herdamos neste país é claro que há pressão. Queremos chegar a esse alto nível nível e acho que é um padrão que deve ser reintegrado na música britânica. Percebo que nos últimos anos as pessoas perderam a referência da nossa rica história musical e sentimos que é hora de trazê-lo de volta.


12) Conhecem algo do Brasil? Música, lugares, etc.
Ouvimos apenas coisas boas sobre a sua cultura e património musical. Para nós o Brasil significa paixão e atitudes positivas, as duas coisas que nos esforçamos para trazer ao nosso dia a dia. Nós não podemos esperar para conhecer a América do Sul e esperamos que possamos desfrutar de sucesso com a crítica brasileira e com os fãs. Além do que seria ótimo ver nossa música sendo tocada em casas de show no Brasil.


13) Gostaria de deixar uma mensagem para os leitores do Blog Novas Ideias?
Mantenha sua fé, faça tudo com paixão e acredite no que você está fazendo. É melhor dedicar sua vida a fazer uma única coisa que você ama de todo coração do que fazer mil coisas sem paixão. E claro: conheçam nossa música em nosso site... hahaha!


Com colaboração de Glaucio de Souza, Gabriela Penha e Liesel Hoffmann. 
Agradecimento à Julia Nicklen, que respondeu a entrevista em nome da Banda Eutopia


***

Visite o site da banda Eutopia e curta a página no Facebook.


Ouça a música Seven, que dá título ao primeiro álbum da banda:

EUTOPIA-Seven-Seven by Eutopia


Ouça a música Shall I Lie:

SHALL i LIE - EUTOPIA -Seven by Eutopia


Ouça a música Sattelite of Love:

EUTOPIA-Satellite Of Love-Seven by Eutopia

Aldo Quintão, o padre anglicano



Publicado no site da revista Brasília em Dia


Com quase 50 anos de idade, o reverendo Aldo Quintão, que começou como engraxate, ajudando o pai, em Taguatinga, desde cedo pensava em ser padre para propagar a palavra de Jesus Cristo. Ele recorreu ao padre da paróquia, que o ajudou a realizar o sonho de entrar no seminário, em Itu (SP), onde iniciou sua trajetória. Ele se formou em 1981 e passou para o noviciado como Frei Aldo. Aos 23 anos, em 1984, foi encaminhado para a Paróquia Nossa Senhora do Carmo, na cidade de São Paulo.

Ele não se adaptou às doutrinas da Igreja Católica e decidiu deixar de ser frade, porque não concordava com as regras impostas pela instituição. Normas que ele considerava hipócritas e, por exemplo, não permitiam que os fiéis sequer usassem a camisa de vênus, o preservativo masculino. Sem ter onde morar, ele procurou abrigo em um cortiço na rua Bela Cintra, na capital paulista. Para sobreviver, ele vendia jornal usado para donos de mercadinhos e feirantes. Justamente em um momento muito difícil, ele conheceu sua atual esposa, a odontóloga Ana Paula, com quem tem um filho. Quando ele não recolhia jornais para vender, atuava como voluntário na Favela do Real, alfabetizando crianças carentes. Logo depois, ele recebeu um convite para fazer palestra sobre trabalho solidário no colégio Pio XII. Em seguida, passou a dar aulas de teologia também.

Por fim, Aldo Quintão chegou à conclusão de que precisava voltar a pregar. Em 1995, ele optou pela Igreja Anglicana e começou a frequentar a Catedral de São Paulo. Em 1998, ordenou-se padre anglicano. Hoje, ele é conhecido no país inteiro. Seus cultos são transmitidos ao vivo pela internet e despertam fiéis em muitas regiões do país, porque fala tudo o que pensa. Assim, sua personalidade serviu para consolidar a fama de ser um religioso polêmico.



O senhor defende o aborto e o homossexualismo. Esses foram os pontos mais críticos que o levaram a deixar a Igreja Católica Romana?

Se você perguntar para qualquer pessoa e, em especial, para qualquer mulher, ninguém é a favor do aborto. O aborto não é maravilhoso, fantástico, gostoso. É igual quando você vai fazer um tratamento dentário. Quem é que gosta de ir ao dentista, de ter um dente obturado ou fazer um canal? Mas é uma situação que, às vezes, é necessária para a saúde. A questão do aborto pertence à área de saúde pública. É absurda a quantidade de mulheres que morrem neste país por causa dos abortos clandestinos... Então, descriminalizar o aborto não é uma questão de fé e de Igreja, mas de saúde pública. Cada Igreja vai ter sua visão e orientar os seus fiéis, mas - em termos de lei - eu sou a favor da descriminalização. Por exemplo, sou a favor da união civil entre pessoas do mesmo sexo. Estou falando como cidadão, como uma pessoa civil. Agora, se a Igreja quer pregar que não haja a união, tudo bem.


Por que o senhor é favorável?

Porque conheço jovens, homens e mulheres, que foram expulsos de casa pelos pais porque eram homossexuais. Eles vão lutar, trabalhar, construir uma vida, ter seus bens patrimoniais e, de repente, se eles morrerem, a herança deles fica para quem os colocou para fora de casa, para quem não quis ser pai ou mãe deles, para quem tratou aqueles seres humanos como aberrações. Então, que eles tenham o direito de dizer para quem eles vão deixar aquilo que eles amealharam em uma vida de lutas, seja seu companheiro ou sua companheira. É uma questão civil e de amor também. Hoje, a ciência já mostra que ser homossexual não é ser doente. Muitas vezes, a pessoa nasceu assim. Eu duvido que Jesus Cristo diria: “Não quero você, não aceito você”.


Os debates que tomaram conta da mídia a respeito do aborto colaboram ou disseminam o preconceito sobre o assunto?

O preconceito está crescendo, porque a candidata Dilma poderia ser firme no posicionamento dela. Em entrevistas antigas, ela se dizia a favor, argumentando que era uma questão de saúde pública. E agora ela vem apresentando fotos dela fazendo primeira comunhão... Se bobear, daqui a pouco, ela é candidata a papisa. Isso não ajuda em nada. O Serra, que foi ministro da Saúde, poderia ser também mais incisivo. Ele até falou sobre a união civil. Disse que “cada igreja que se posicione de uma forma” e assumiu ser favorável. Acho que essa postura deveria existir também quanto à questão do aborto, mas com clareza.


E quanto à presença de líderes religiosos em programas eleitorais?

Chamar padres e pastores radicais para esses programas não leva a nada, porque a Igreja não pode ditar normas para a sociedade civil, porque nem todos da sociedade são católicos, evangélicos ou protestantes. Devemos ter uma sociedade para todos: ateus, agnósticos, cristãos, muçulmanos, judeus... Deve existir um consenso.


E como deveria ser?

Assim: não um aborto descriminalizado, porque ninguém está falando disso, pois algumas pessoas partem logo para a ignorância. Quem for ler a entrevista, depois, vai dizer: “Nossa, esse padre é louco, como ele fala de aborto, de união civil, isso é contra Deus, isso não está na Bíblia!”. Olha, se a gente for ler a Bíblia literalmente pode se confundir. Por exemplo, quem tem problema de visão não pode ir à igreja, porque o Levítico diz: “Aquele que tem problema de visão não deve se aproximar do altar de Deus”. E quantos padres, pastores e fiéis usam óculos ou lente? Aquilo é um conceito da época, você não pode levar tudo ao pé da letra!


A questão do aborto é uma visão machista?

Muito machista! O mais famoso caso de infidelidade da Bíblia é o da mulher adúltera. O texto bíblico é muito claro quando diz assim: “esta mulher foi presa em flagrante adultério”. Tudo bem, mas ela foi pega com quem? Cadê o homem? Ele não foi levado a julgamento. Ou a mulher iraniana que querem apedrejar [Sakineh Mohammadi Ashtiani, condenada pelo governo de Mahmoud Ahmadinejad] não estava com alguém? Por que ninguém fala do companheiro? Cadê o homem que estava com ela? Então, sempre sobra para a mulher.


O senhor já foi ajudante de engraxate de seu pai e, hoje, é um dos reverendos que mais têm fiéis no Brasil. O que trouxe essa mudança para sua trajetória?

Primeiro, devo tudo a Deus. Em seguida, devo aos dois catequistas da minha vida com muito orgulho: o sapateiro (meu pai, que completará 80 anos) e a servente (minha mãe, que tem 75). Tudo que tenho devo a eles. Eles são mineiros de perto de Belo Horizonte e vieram para Brasília com quatro filhos, na época da inauguração, para tentar a vida. Eu nasci aqui. Meus pais começaram uma vida de muita dificuldade, de retirantes. Depois de mim, nasceram mais dois irmãos. Apesar de tanta luta e dificuldade, nossa vida em casa sempre se pautou por trabalho, seriedade, honestidade e fé.


O senhor almejava a vida religiosa?

Quando eu tinha uns 10, 11 anos, pensava em ser padre. Achava bacana todo mundo reunido na igreja, rezando, falando das suas lutas, das suas alegrias, incertezas, vitórias, derrotas... Fiquei com aquilo na minha cabeça. Mas como a gente era muito pobre, era difícil poder imaginar que alguém da família iria estudar, mas continuei com esse sonho.


O que o ajudou?

Quando eu ia aos prédios do Plano Piloto, recolhia jornais e revistas que as pessoas jogavam fora. Era muito comum eu pegar O Globo, Jornal do Brasil, as revistas... Então, tive uma vantagem, porque lia as colunas do Nelson Rodrigues, entre outras. Assim, mesmo sendo um menino simples e humilde de uma vila de Taguatinga, comecei a ter acesso à leitura e à cultura. Meu pai também sempre obrigava a gente a ver jornais da TV e a ouvir rádio.


Quando o senhor decidiu entrar para o seminário?

Aos 16 anos, eu fazia “bicos” nas feiras livres de Taguatinga. Assim, juntei um dinheiro, comprei meu enxoval e no mesmo ano pedi minha entrada no seminário dos padres carmelitas. Em 1979, saí da casa dos meus pais e fui atrás do meu sonho.


E onde foi feito o seminário?

Entrei no seminário Nossa Senhora do Carmo de Itu (SP). Fui fazer o colegial, que a gente chamava de seminário menor, e ao final, no ano de 1981, fui para o Nordeste, onde fiquei dois anos estudando, e mais dois em Curitiba. Depois, fui para São Paulo. Eu já era então um frade e, assim, realizei meu sonho de poder ser um religioso. A seguir, comecei a dar aulas.


E depois?

Um novo horizonte se abriu para mim: tive uma crise pessoal e particular, que não credito a ninguém, nem à Igreja Católica Apostólica Romana, nem aos bispos, nem ao papa, porque foi uma coisa minha. Senti, aos 24 anos, que algumas coisas que eu pregava e dizia não eram condizentes com a realidade da sociedade e nem com aquilo que eu pensava.


Por exemplo.

Comecei a lidar com muitas pessoas e vi seu sofrimento. Vi que elas, muitas vezes, vinham de outras cidades, não eram casadas e não tinham como fazer o casamento, só viviam juntas, não conseguiam contingenciar o número de filhos, sustentar a família numerosa... De repente, eu representava uma instituição que não dava espaço para essas pessoas, que não podiam participar da Igreja. Já esta, por sua vez, não pode limitar o número de filhos, porque a ciência não é bem vista por ela, nem o estudo das células-tronco... Isso tudo não estava batendo com o que pensava. Então, deixei a Igreja e fiquei com minha vida de professor, ministrando aula nos colégios Pio XII e São Luís dos Jesuítas, em SP. Tive sucesso social e econômico, mas voltou a me dar um vazio na vida. Podia viajar nos fins de semana para descansar, mas não era aquilo o que eu queria.


Como o senhor se sentia?

Muito só. Então, comecei a namorar a Ana Paula, minha primeira namorada. Eu também fui o primeiro namorado dela. Depois de quatro anos, em 1988, nós nos casamos. Em 1989, tivemos nosso primeiro e único filho, Leonardo. Continuei trabalhando na educação. Eu estava muito bem na minha vida familiar, mas continuava com aquele vazio.


O senhor pensou em voltar à Igreja?

Não poderia, porque ela não admite padres casados. Aí, eu conheci a Igreja Anglicana. Aliás, eu fiz um percurso por várias igrejas (protestantes, evangélicas...), estudando e avaliando para tomar uma decisão para não me sentir descontente de novo. Não era um problema das igrejas e nem da norma, porque o problema era meu, em qual igreja eu me situaria.


Onde o senhor conheceu a Igreja Anglicana?

Em São Paulo. É uma Igreja eminentemente inglesa. Foi a primeira Igreja não romana no Brasil. E essa paróquia onde estou é inglesa. Nunca houve nela um padre brasileiro. Aliás, os que eram brasileiros eram filhos de ingleses. Fui até lá mesmo sem falar uma palavra em inglês, que, por sinal, não falo até hoje. Conheci a catedral e gostei do jeito inglês de ser. Não havia mais do que dez brasileiros na igreja. Conversei com o bispo na época, fui estudando um pouco mais da teologia anglicana e pedi para fazer parte do clero. Fui ordenado há doze anos, sendo o terceiro na igreja. Uma ou duas vezes por mês, eu fazia a celebração.


E depois?

Com o passar do tempo e a aposentadoria do bispo, comecei a desenvolver um trabalho com os brasileiros, aquele no qual eu acreditava e com o qual eu tinha uma história de vida: falar de um Deus maravilhoso, carinhoso, que ama e aceita as pessoas do jeito que elas são. É evidente que Deus quer que a gente melhore, é igual a um pai de família. Por exemplo, alguém quer ser pai ou mãe, deliberadamente, de um homossexual? Não, não quer. Mas se o filho for gay, o que eu faço? Jogo fora, descarto, expulso da minha casa ou eu amo? Eu vou amá-lo. Você quer que seu filho se divorcie? Não, não quer. Mas se divorciou. E aí? O que você faz? Diz: “na minha casa você não entra mais”? Ou diz: “quero meu filho comigo, porque é nessas horas que eu quero oferecer o meu colo”?


Para o senhor, o que diferenciou a Igreja Anglicana das demais?

Descobri esse jeito de ser de uma igreja que acolhe, que ama e que não é punitiva. Encontrei um Deus que não persegue, que não fica vigiando, mas amando, cuidando e zelando, e comecei a falar disso para as pessoas, sem grandes teologias e filosofias, porque o mundo não precisa disso. Podemos ter acesso a tudo, mas isso não garante nossa felicidade. Nós precisamos é de amor, carinho, um local onde possamos ter paz, harmonia, acolhimento, como minha casa, onde eu vivia quando era criança. Nós éramos nove e faltava tudo, mas a gente não ligava, porque o importante não faltava: tínhamos amor e carinho. Dividíamos o pão, o arroz e o feijão da mesma forma que dividíamos o amor, o perdão e a reconciliação. O bem-estar está dentro da gente quando estamos com este Deus maravilhoso.


A discriminação acarreta o quê?

Faz, por exemplo, o homossexual ter uma vida promíscua, e isso não está correto. Não sou a favor da promiscuidade. Sou favorável que a pessoa tenha uma vida feliz com seu parceiro. Se você não permitir que uma pessoa que foi estuprada ou que uma moça que tem um feto com anomalia tenham direito a uma saúde decente e a um acompanhamento médico às claras, o que elas vão fazer? Vão para a clandestinidade, para a morte. Aliás, essa é uma posição machista, porque a maioria do Congresso Nacional é composta por homens.


E quanto à abordagem de outras doutrinas? Como o senhor administrou essa relação?

Isso para mim é muito simples. Um jogador de futebol, quando se destaca, tem o passe dele comprado por outros times, e isso é muito normal, porque ele vai, então, oferecer seu talento para aquele novo clube. A mesma coisa ocorre no meu caso.


Recentemente, ocorreram denúncias sobre o envolvimento de líderes religiosos em esquemas de corrupção de fiéis. O que o senhor pensa a respeito?

Graças a Deus, recebi uma herança na Igreja Anglicana e que eu acho fantástica: a auditoria da PricewaterhouseCoopers [PwC], maior empresa desse segmento no mundo. Assim, somos a única igreja auditada no Brasil. E eu digo que deveria haver uma lei no país para que todas as igrejas pudessem prestar contas de seus ganhos, em igualdade de condições com todos aqueles no Brasil que geram riquezas. Tudo isso acompanhado por técnicos do Banco Central, da Receita Federal...


Seria necessário haver uma lei nesse sentido?

Aliás, não deveria ser necessária uma lei, porque as igrejas deveriam fazer isso por ética, por moral. Não estou dizendo que todas as igrejas são desonestas ou vivem para ganhar dinheiro, mas não podemos negar que virou moda o slogan “Pequenas Igrejas, Grandes Negócios”. Assim como igreja proprietária de várias emissoras de TV e rádio, construindo palacetes imensos e, às vezes, com dinheiro não contabilizado.


Como a igreja, que não paga impostos, contabiliza o dinheiro de doação dos fiéis?

Isso é uma coisa da igreja, uma coisa pessoal e particular. Não existem padres e pastores que montam igreja para ganhar dinheiro. Existem, sim, pessoas que se dizem padres e pastores e que abrem igrejas, como se fossem empresas, para ganhar dinheiro. Depois, essas mesmas pessoas corrompem os fiéis e se vendem para os políticos.


E quanto às igrejas que fazem acordos políticos?

Em todas as eleições, as mesmas igrejas fazem acordos políticos. As igrejas sérias não fazem isso. E agora eu vou parafrasear alguém: “nunca na história deste país”, em tempos de eleição, você viu uma Igreja Católica Apostólica Romana, Anglicana, Luterana, Metodista, Batista e Presbiteriana, que são as mais antigas e mais sérias, fazendo acordos e levando políticos para pregar nos seus templos. Isso não ocorre. E acordos políticos do tipo: “se eu for eleito, vou dar um terreno para você, além de tijolo, telhado e até pagamento”. Existem padres e pastores que são cabos eleitorais!


E há, ainda, aqueles que se candidatam a cargos políticos.

Como é que um religioso consegue passar incólume às negociatas políticas? Como? É difícil!


Para o senhor, o poder corrompe?

Claro! É impossível que não seja assim. Disse Jesus Cristo: “Não é possível servir a dois senhores”. Ou você é político ou você é religioso. Eu sou a favor que as igrejas incentivem pessoas sérias, honestas e corretas a disputar cargos políticos, até para melhorar a sociedade. Bons advogados, médicos, economistas, professores, jornalistas...


Esse é o seu jeito de pregar?

É meu jeito de pregar, de trabalhar, de falar na igreja, minha forma de ser: claro e transparente. Quando eu fundei o Instituto Anglicano, para ser o braço social da igreja, construí quatro creches com trabalho e esforço da comunidade e da igreja, todas auditadas pela PwC. As creches atendem a 620 crianças, com 3.100 refeições diárias, em convênio com a Prefeitura Municipal de São Paulo. Faço isso porque faz parte de minha história. Teria sido muito importante se minha mãe tivesse tido a oportunidade de nos colocar, eu e meus irmãos, em uma creche, para que a gente tivesse quatro, cinco refeições por dia, além de educação, cultura e convivência melhor com outras crianças. Não tivemos essa oportunidade, mas fui abençoado para que pudesse fazer isso.


Como funciona essa atividade sua?

Faço um trabalho com todos os pais, e aí não entra religião. Nas creches não há religião. Isso vale para todas as crianças. Agora, os pais são educados, todas as crianças têm carteira de vacinação, as mães têm de fazer um acompanhamento de saúde, de acordo com a lei, conforme estabelece o Conselho de Medicina.


Como é feito esse acompanhamento?

Com o controle de natalidade, porque não dá para você morar em um barraco e lotar sua casa de filhos! Mas também não posso pedir para você acreditar no método da tabelinha se você não sabe nem fazer contas, nem ler e escrever. Mas posso pedir que você vá ao médico, para que ele diga que você pode ter uma vida sexual ativa e saudável, controlando a sua prole. Pronto, isso a gente pode. Essa deve ser a postura da igreja, mas não a de se posicionar na política partidária.


O senhor se posiciona politicamente?

Sim, mas não na igreja, não no púlpito. Mas se você me perguntar qual é minha postura política, não escondo. Agora, na igreja, não. Lá eu só anuncio Jesus Cristo. Só falo de amor, caridade e de Deus. Por isso saí da Igreja Católica Apostólica Romana e vim para a Igreja Anglicana. Por isso resisti ao assédio de outras denominações religiosas, porque eu não vou vender meu passe para pregar algo em que eu não acredito ou para fazer “rebanhão”. Estou aqui para fazer um trabalho no qual eu acredito desde criança.


A Bíblia é machista?

A Bíblia é um livro extremamente machista. Você observa que, primeiro, foi escrita por homens. O maior divulgador da palavra de Jesus Cristo foi Paulo, o apóstolo, que era extremamente machista. Ele mandava a mulher ir para a igreja, botar um véu e calar a boca, ficar quieta. Ele escreveu que o homem é superior à mulher, que ela deveria ser submissa. Agora, isso é um contexto da época, valia para aquela época. Quando as igrejas usam esse texto de Paulo, por que não usam a palavra dele quando ele diz: “Escravos, sejam submissos aos seus patrões”? Afirmam: “Não, mas esse é um contexto da época”... Observe que só é contexto da época quando interessa! Quando não interessa, já não é mais, já leva como uma doutrina. E, geralmente, só se leva como doutrina aquilo que permite que eu exerça poder sobre as pessoas. O que não convém não se ensina mais. Talvez seja esta a razão da resposta à primeira pergunta que você me fez, porque não acredito que sou o dono da verdade, só não sou hipócrita!


Mas o senhor é considerado polêmico. Como se sente assim?

Não sou polêmico, não carrego bandeira, apenas defendo a humanidade, as pessoas. Não procuro usar do medo e da coerção para que a pessoa vá à igreja. Eu vou por amor a Deus, por temor, quero ter paz, viver bem e desejo que meu próximo também tenha paz. Seja ele rico, pobre, preto, branco, homem, mulher ou gay, todos têm o direito de estar com Deus. Cada um tem sua história de vida. Não adianta querer fazer da humanidade uma coisa homogênea, porque ela não é homogênea: é heterogênea, é plural! Existem pessoas que gostam de ir à igreja e ficar meia hora, 40 minutos, em absoluto silêncio; outras já gostam de guitarra; outras ainda preferem música clássica... Assim é a vida! Eu vivo na sociedade, e ela precisa de normas, de leis e regras, existem as convenções, mas elas não existem para amarrar as pessoas

Religião liberta?



@wesleytalaveira Outro dia questionei no Twitter a eficácia de clínicas de recuperação de dependentes químicos mantidas por igrejas evangélicas que usam a religião como forma de 'libertar' os viciados. Essas clínicas costumam impor aos internos rotinas de práticas religiosas que eles provavelmente não teriam se tivessem poder de escolha. Cultos, orações antes dos alimentos e leitura da Bíblia, além de outras práticas. O resultado é que a maioria dessas pessoas que saem dessas clínicas se tornam evangélicos fervorosos, que pregam, cantam e "testemunham" sobre sua vida passada de drogas e a nova vida religiosa.

Me lembro de ter lido uma vez algo sobre os "viciados em religião", pessoas que precisam da prática religiosa para sobreviver. Sim, assim como existem pessoas viciadas em álcool, chocolate e café, há os viciados em religião, e eu conheço gente assim. Um dia sem ir à igreja é um dia incompleto, vazio. Onde estão, estão falando na religião, seja em almoço de família ou no trabalho. Esse tipo de gente geralmente costuma ser inconveniente, pois acha que qualquer ambiente é local para a "pregação do evangelho".

Pois bem, considerando que é possível que uma pessoa se vicie em religião, eu perguntei no Twitter: será que essas clínicas que usam a religião como tratamento estão realmente libertando? Esses pacientes estão sendo tratados de um vício ou estão apenas trocando por um outro? Será que eles não estão deixando o vício nas drogas para mergulhar no vicio em religião? Não seria o caso de eles estarem usando um vício considerado "bom" para a sociedade para esconder outro, considerado "ruim"?

Penso que qualquer coisa que tira do indivíduo a capacidade de pensar sozinho é um vício a ser combatido, seja o crack, seja a religião manipuladora. Já não dizia Nietzsche que a religião é o "ópio do povo"?

Qualquer iniciativa que tenha como objetivo libertar das drogas é algo bom e que deve ser apoiado. Mas o que vai ser feito com essa pessoa depois do tratamento é um outro assunto. As vezes esse 'depois' pode ser mais complicado que o próprio tratamento em si. Tratar um dependente químico é algo complicado demais para simplificar tudo com a religião. Não basta somente crer que 'deus liberta'. Há todo um caminho a ser percorrido pela pessoa, e que apenas ela pode fazer. Mais ninguém. Nem Deus.

Por que reallities show fazem tanto sucesso?



@wesleytalaveira Não tem jeito, os reallties show viraram mania. Mal acaba um já se fala no outro. E isso não é só aqui no Brasil. Gente no mundo todo para o que faz pra ver a vida alheia.

Mas o que esses reallties tem que tanto atraem a atenção do telespectador?

No caso do Big Brother, formato de reallity criado pela empresa holandesa Endemol, há dois conceitos bastante interessantes sobre os quais o reallity se firma: 1) o ser humano é um ser sociável, e quando é privado da convivência em sociedade ele pode ter atitudes completamente desproporcionais à sua personalidade; 2) o ser humano, por natureza, gosta de ver e acompanhar a vida alheia.

Que o ser humano gosta de viver em sociedade não deve ser novidade para ninguém. desde pequenos aprendemos a fazer amigos, a ter colegas em escola, a brincar e dividir brinquedos, crescemos com amigos com quem conversamos, namoramos e casamos. OU seja, toda nossa vida foi construída em cima do conceito de sociedade. Aprendemos que "uma andorinha não faz verão". Portanto uma das experiências mais incríveis de se fazer com o ser humano é privá-lo da convivência em grupo. Somando-se a isso o fato de vivermos numa geração tecnológica, inclua nessa privação uma total ausência de vida on line. Qual o resultado? Impossível prever. O ser humano é um dos animais mais imprevisíveis. Basta tirá-lo daquilo que sua natureza o manda fazer para perder completamente o padrão de comportamento humano.

Ana Madeira
Somado a isso, é fato que o ser humano adora acompanhar a vida alheia. Seja para comparação com a própria vida, seja por pura curiosidade. Saber como vai o casamento do vizinho, ver se a bunda da colega de trabalho é maior que a sua, saber como é o desempenho do namorado da amiga na cama, comparar o carro do vizinho com o seu e por aí vai. É próprio do ser humano. Gostamos de ver a vida dos outros. Uma das grandes sacadas sobre isso foi dita aqui mesmo no Blog Novas Ideias, numa entrevista com a ex-BBB Ana Madeira. Na entrevista ele pergunta para ela o porque do sucesso do BBB, e ela responde com a frase que poderia facilmente ser tema de vários estudos antropológicos: o ser humano é voyeur. Gostamos de vasculhar a vida alheia. Temos tesão em abrir correspondência do vizinho. Saber o quanto ele paga de energia elétrica. É coisa nossa.

Qual é a grande sacada da versão brasileira do Big Brother? A Globo teve a grande ideia de entender que, além de o ser humano ser voyeur, o brasileiro é fofoqueiro. Adoramos comentar a vida do outro. Espalhamos a notícia da nova namorada do amigo da faculdade, observamos o novo corte de cabelo da colega e comentamos no salão. Não é à toa que revistas de celebridade vendem tanto por aqui. É por isso que Nelson Rubens ainda tem emprego. Os Paparazzi nunca foram tão solicitados, e o SBT anda até pagando prêmios em dinheiro pra quem conseguir um flagra de um artista. Isso porque o brasileiro é fofoqueiro por natureza, aceitem isso ou não. Adoramos o fuxico, a conversinha de elevador e de espelho de banheiro.

Somando tudo isso num único programa seria impossível um resultado diferente do sucesso. Sei também que nos últimos anos o programa vem perdendo audiência, mas isso é mais por conta da mesmice do programa do que pelo formato. Enquanto a TV investir em programas que fucem e exponham a vida alheia, a audiência sempre vai corresponder muito bem.

Haverá alguém melhor que Steve Jobs?



@wesleytalaveira Se Steve Jobs fosse um líder religioso, teria com certeza uma das maiores e mais influentes igrejas do mundo, ou pelo menos a igreja com os fieis mais devotos. Isso porque ele é conseiderado pelos consumidores dos seus produtos como um grande líder, alguém que revolucionou o mundo e que nunca será esquecido. E em partes isso é verdade, mesmo. Mas alguns cuidados devem ser tomados quando falamos na inovação tecnológica atual e na participação de Steve Jobs nela.

Steve Jobs é sem dúvida uma das mentes mais brihantes dos últimos tempos. Seu maior mérito foi fazer a tecnologia se tornar algo fácil para todos. Equipamentos que teriam tudo para serem complicadíssimos se tornam de fácil uso para qualquer pessoa em poucas horas de prática. Steve Jobs foi um grande homem, com uma  inteligência incrível. Além de tudo isso, sua história de vida é um exemplo para qualquer pessoa que queira seguir em frente.

Orkut Büyükkökten
Mas temos de tomar muito cuidado quando falamos em Steve Jobs como o "pai da tecnologia", como eu vi outro dia se referirem a ele. Com o pouco conhecimento em tecnologia que tenho posso afirmar que Steve Jobs é apenas uma peça dessa engrenagem chamada Revolução Tecnológica (isso mesmo, com letra maiúscula). Steve Jobs é um grande nome na tecnologia, mas não é o único. Só pra citar os mais famosos, temos Bill Gates e sua Microsoft, que revolucionou a tecnologia - e isso copiando boa parte das ideias de Steve! Apesar de ser outro campo, mas Mark Zukerberg não deixa de ser um dos grandes nomes da revolução tecnológica atual com o Facebook. E por que não falar em Orkut Büyükkökten, o turco de nome impronunciável que, em 2004, mudou completamente a forma como as pessoas se comunicavam? Posso até cometer o escândalo de dizer que Steve Jobs é hoje para a tecnologia o que Orkut Büyükkökten foi a comunicação na internet em 2004.

Tenho certeza de que a revolução tecnológica que estamos atravessando está apenas no começo. Steve Jobs é a ponta de um iceberg enorme que ainda vai ser descoberto no futuro. Ainda há muito a ser criado, muito a ser pensado e muita gente a ser descoberta no mundo da tecnologia. Em cada uma dessas feiras japonesas que vemos na TV temos a ideia de como o mundo ainda está atrasado, levando em conta a capacidade humana de criar. No futuro olharemos para 2011 e diremos como o mundo era atrasado!

Esse é o cuidado que temos ao falar em Steve Jobs. Ele é sim um gênio da tecnologia que será lembrado para sempre. Mas não é o único. Há e ainda haverão muitos outros tão bons ou até melhores que ele. O que podemos fazer agora é ser gratos pela genialidade dele, que proporcionou os avanços no nosso tempo atual, e estar abertos ao que ainda virá.

Se estou sendo futurista demais? Pode ser que sim. Mas foi com a cabeça no futuro que Jobs chegou onde chegou, então me deixe ser futurista... rs

Qual é o estilo da Dilma?


Em mais um interessante artigo no Valor Econômico, Renato Janine Ribeiro, professor de ética e filosofia política da USP, toca no ponto certo do governo de Dilma Roussef. A presidente tem o seu estilo, mas será que pode se libertar das amarras fisiológicas do PT e dos partidos que lhe dão sustentação?

Veja abaixo o artigo:

***

Em meio ano, Dilma Rousseff demitiu três ministros de Pastas importantes. No começo de seu governo, escrevi que ela estava em busca de seu estilo. Sucedia a dois grandes comunicadores. Fernando Henrique Cardoso, em que pese vivermos num país sem maior simpatia pelos intelectuais, usou sua cultura e simpatia - era o chefe de governo mais culto que tivemos desde José Bonifácio - para transmitir, à sociedade, uma nova agenda, mais econômica na verdade do que política. Luiz Inácio Lula da Silva utilizou sua verve e carisma para comunicar-se com uma parcela bem maior da sociedade. Se adotou políticas de inclusão social, aumentando a classe C e reduzindo as D e E, fez algo parecido no discurso político: dirigiu-se sobretudo aos pobres, falou com eles, em especial com suas famosas metáforas. E Dilma? Que estilo teria, perguntei em fevereiro, depois desses governantes que sabiam tão bem falar à sociedade?

Agora, temos dados concretos. Dilma continua falando pouco. Também não é de escrever. Ela assina. Assina demissões. Há uma lógica clara no seu modo de demitir. Quando um ministro é suspeito de corrupção, ela quer que preste satisfação à sociedade. Dá-lhe uma chance. Não demite ninguém de pronto. Porém, se a satisfação prestada não for convincente - e foi esse o problema de Palocci, que era o grande ministro de uma grande Pasta, bem como o de Alfredo Nascimento, que dirigia um dos principais ministérios da Esplanada, não só pelo dinheiro manejado mas pela popularidade que gera, se construir e consertar estradas - o ministro sai. Esse não é um juízo criminal. Não sabemos se foram ou não culpados das acusações que lhes foram dirigidas. É um julgamento político. A política lida com aparências. Para ela, não basta a mulher de César ser honesta, ela tem de parecer honesta - para retomar o célebre dito de Júlio César, pronunciado assim mesmo na terceira pessoa.

Não basta acusar para derrubar um ministro. Ana de Hollanda foi atacada no começo do governo, pelas políticas que adotava (ou não adotava) e também por uma questão de diárias pagas a ela. Dilma deu-lhe um abraço, num corredor, e disse que fosse em frente. Só isso. Não houve colo, força-tarefa para defender a ministra, nada. Mas Hollanda se virou e saiu dos holofotes. Em suma, a presidente dá chance a quem é criticado e espera que a pessoa se mostre capaz de superar o mau momento. Porém, cobra. Um ministro não ficará no cargo fazendo-se de tonto.

Lembremos o episódio Henrique Hargreaves, em que o principal ministro de Itamar Franco, falsamente acusado de corrupção, se demitiu para que tudo fosse apurado e só voltou ao ministério devidamente isentado de culpa. Os tempos mudaram. Hoje, o único tema da oposição é a corrupção. Ela não discute como baixar a apreciação do real, não entra no mérito do trem-bala - apenas, acusa o governo de corrupto. Os decepcionantes PV e Marina, por sua vez, sequer fazem campanha contra a redução do imposto sobre os automóveis. Seria impopular defender mais impostos sobre os carros, mas o que se espera dos verdes? Que proponham o novo. Isso não vemos nem na oposição tucana, que só fala em desvio de verbas, nem na verde, que praticamente não fala. Hoje, se cada ministro acusado se afastasse, a oposição inviabilizaria a baixo preço e com meras palavras o governo. O que se pode esperar da presidência é que mande os acusados prestarem contas.

Já o desfecho do caso Jobim é diferente, mas normal. Se não o demitisse, a presidente se desmoralizava. O que temos de entender, e cabe aos jornalistas descobrir, é por que ele quis sair como saiu. Em poucas semanas, multiplicou provocações que não podiam ser toleradas. Recordo o sociólogo Emir Sader, que seria diretor da Casa de Ruy Barbosa. Numa entrevista, Emir se referiu a sua superior, a ministra Ana de Hollanda, como "autista". Era uma alusão bem humorada e até carinhosa. Bastou para que perdesse o cargo. Mas Emir é um acadêmico; nesta área, estamos acostumados a dizer o que pensamos, sem meditar muito as consequências.

Nelson Jobim é um político brilhante, que foi ministro de três governos seguidos e se destacou nos três Poderes da República. Foi o melhor ministro da Defesa que tivemos desde a criação da Pasta. Então, por que deu três declarações sucessivas e provocadoras? Queria sair como herói? Para tanto, precisaria estar representando uma causa nobre, contra uma eventual falcatrua. Nada disso está à vista.

Dilma não aceitou, nem podia aceitar, o que precisamente para os militares é o pecado mortal: a indisciplina e, com ela, a tolerância com a indisciplina. (Ainda hoje, paira a suspeita de que, se Jango não tivesse admitido a indisciplina dos sargentos e marinheiros em 1964, vários generais, entre eles o comandante de São Paulo, não se teriam revoltado; o golpe de Estado fracassaria). O chefe do Ministério da Defesa desrespeitou a comandante-em-chefe das Forças Armadas. A essa altura, importa pouco avaliar como será Celso Amorim - como ainda sabemos pouco de Gleisi Hoffmann e Ideli Salvatti. Nenhuma dessas indicações, em que pesem as qualidades do ex-chanceler no Itamaraty, impressionou muito a opinião pública. Mas o que conta é que a presidente mostrou firmeza.

Ainda ignoramos como Dilma vai se comunicar. O que vimos é que exige respeito. É um dado importante. É um começo. Talvez precise terminar de ajeitar o governo. Isso demora - talvez um ano. Depois, terá de mostrar que ideais vai transmitir - como FHC e Lula fizeram. Está indo bem na tarefa de pôr ordem no ministério. Terá de mostrar para quê. Isto é: o que tem a propor ao povo. Esperemos.

Fontes:
Blog do PPS
Humor Político
Gilvan Melo

O Sílvio disse não!


@wesleytalaveira Bem que os pseudo-pastores tentaram. Malafaia, Valdemiro e outros ofereceram até o rim pra comprar a madrugada do SBT e veicular lá suas asneiras gospel. Mas o Sìlvio disse não.

A maior oferta veio do líder da Igreja Mundial, o Valdemiro Santiago. Tanto tentou negociar com o pessoal do SBT sem sucesso que passou a tentar diretamente com o dono dos porcos. Marcou almoços, jantares e etc, sempre sem sucesso. Por fim Sílvio Santos bateu o martelo e disse que não vende a madrugada do SBT.

A crentada chiou na internet. Amaldiçoaram o dono do Baú, disseram que ele vai morrer no fogo do inferno e outras coisas mais. E nós, que não dependemos das palavras desse tipo de gente para ser pessoas boas só temos a comemorar por saber que ainda existem pessoas que dizem não para o dinheiro sujo desses covis  de bandidos que insistem em se chamar igrejas. Ainda tem algumas poucas pessoas que rejeitam o dinheiro conquistado de forma suja, através da ludibriação da boa fé de pessoas ingênuas, que acham que realmente estão contribuindo com a 'obra de Deus'. Ainda existem empresas que preferem trabalhar pelo lucro, ao invés de se aliar a fontes inesgotáveis de dinheiro.

Valeu, Sílvio!

Steve Jobs não é brasileiro


Texto do Sérgio Malbergier na Folha

O fundador da Apple, Steve Jobs, morreu sem ver sua empresa operar normalmente no Brasil. O americano está sendo saudado justamente como um revolucionário genial que transformou o modo como comercializamos e consumimos cultura e tecnologia. Isso é muita coisa. Mas uma coisa ele não conseguiu: fazer sua empresa ocupar o espaço que lhe cabe no fenomenal mercado brasileiro. E isso diz muito mais do Brasil do que de Jobs.

Até hoje os produtos Apple são comercializados por terceiros no Brasil, já que a empresa americana não conseguiu um modelo de negócios viável na pátria do imposto alto e de ambiente de negócios precário.

Os brasileiros pagam o dobro dos americanos ou mais para comprar os iProdutos criados por Jobs e equipe. A última cartada para a normalização da atuação da Apple por aqui foi o anúncio hiperinflado, para dizer o mínimo, da construção de uma fábrica de iPads no nosso país.

O anúncio ocorreu durante viagem de Dilma Rousseff à China, em abril passado. Na falta de qualquer resultado palpável da visita, anunciou-se com grande fanfarra e nenhuma substância que a Foxconn, empresa taiwanesa que fabrica os iProdutos, abriria uma nova fábrica no Brasil para produzi-los aqui. Era o que faltava para Dilma e o PT conquistarem a emergente classe média nacional.

Como escrevi naquela época neste espaço, a Apple não consegue vender direito seus produtos no Brasil por nossas precariedades econômicas, aciona a empresa taiwanesa que fabrica iPads e iPods na China para que os produza aqui e assim consiga driblar essas precariedades e isso ainda é vendido como um trunfo da visita de Dilma à China. Haja "spin"!

A fábrica obviamente está até hoje na promessa. Desde então, falou-se de produção inicial em novembro, depois que o BNDES financiaria o projeto de US$ 12 bilhões, depois que não haveria mão de obra qualificada no país para tocá-lo, depois que a operação começaria como as "maquiladoras" mexicanas, com os produtos somente montados aqui.

O fato é que Steve Jobs morreu, e o Brasil ainda segue excluído em grande medida da revolução Apple. Assim como seguimos com uma das conexões de internet mais caras e lentas do mundo.

São essas coisas que explicam o nosso atraso, apesar dos enormes avanços dos últimos anos, e a nossa dependência das benditas commodities (porque sem elas teríamos déficits comerciais desastrosos).

Se Jobs conseguiu transformar tanta coisa, quem sabe a comoção com sua morte ilumine a cabeça dos nossos burocratas e acelere a liberalização do mercado brasileiro de tecnologia e digital.

Taxar tecnologia é taxar o conhecimento, a inovação, o futuro. É fechar as fronteiras para Steve Jobs.

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