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Blog Novas Ideias

Quem disse que só tem um jeito?

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Quem disse que só tem um jeito?

Em São Paulo tem!

Sala São Paulo, na Luz

Vi o texto abaixo numa propaganda de uma marca de celular, numa folha velha de jornal de 2008 que achei perdida em casa, e resolvi adaptar para publicar aqui. Achei legal porque representa bem a cidade de São Paulo e sua pluralidade encantadora. Em mais um aniversário de São Paulo, é legal lembrar que nossa cidade tem tanta coisa curiosa e as vezes a gente nem presta atenção.

Segue:

Garoa em pleno verão? Tem.

Pizza de abobrinha com cobertura de champignons salpicada de funghi de Calábria? Tem.

Jantar de negócios às 4 da manhã? Tem.

Táxi onde o motorista é ao mesmo tempo comentarista político, meteorologista, e técnico de futebol? Tem.

As Ferraris mais modernas e os Fuscas mais antigos circulando na mesma avenida? Tem.

Filme iraniano em preto e branco com legendas em aramaico? Tem.

Praia? Na Guarapiranga dizem que tem.

Bar pra quem fuma charuto e bar onde é proibido fumar? Tem.

Rodízio à gaúcha, boteco à carioca, tutu à mineira, moqueca baiana? Tem.

Mecânico de noite que durante o dia estuda filosofia? Tem.

Templo hindu, sinagoga, catedral católica, igreja evangélica, culto protestante na mesma região? Tem.

Corinthiano amigo de palmeirense? Difícil, mas tem.

Rodízio de pizza que também serve sushi? De mau gosto, mas tem.

Os mais sofisticados eletroeletrônicos e onde comprar soldadinhos de chumbo do século XIX? Tem.

Hospitais de primeiro mundo e sessões de cura e descarrego? Tem.

Garoa que nem bem começou mas já passou e saiu o maior sol? Tem.

Assim é São Paulo. Uma cidade que tem de tudo!

Meu receio com o "Movimento Nova Política"


Sim, antes de qualquer coisa sou um grande admirador da Marina Silva. Ela tem uma história de vida inspiradora, dessas que nos fazem olhar para nossos problemas e ver como reclamamos por tão pouco, e como não fazemos quase nada para mudar nosso mundo. Marina Silva é o modelo de superação, de luta por um sonho e de um ideal a se seguir. Talvez até mais do que Lula, de quem admiro a história mas rejeito a trajetória política atual. Marina Silva não trai as próprias convicções em nome de "governabilidade", como fizeram os petistas. Aliás, ela não teve nenhum problema em sair do partido que ajudou a fundar quando percebeu que as coisas por lá haviam mudado muito. Marina Silva é um pedaço, um modelo da história recente do país. E deve - ou deveria  - ser motivo de orgulho para nós brasileiros termos uma pessoa como Marina Silva, reconhecida mundialmente pela sua forma de fazer política, mas por vezes desconhecida em seu próprio país. Votei em Marina Silva em 2010, quando sua candidatura rompeu com uma prática perigosa para qualquer democracia madura: a polarização. Ela não foi eleita, mas sua candidatura mostrou um desejo latente dos brasileiros: a mudança. 

Mas tenho certo receio, não necessariamente com a Marina, mas com o Movimento Nova Política, criado a partir dos simpatizantes da Marina e de pessoas que a acompanharam quando ela saiu do PV, em 2011. Para esses militantes, Marina Silva é a esperança de uma política diferente, mas aí está um dos problemas que enxergo quando se fala no nome da ex-ministra: o messianismo em torno da pessoa dela. Marina Silva é vista, entre os militantes do Movimento, uma espécie de Salvadora, uma versão política do Messias prometido aos Judeus, com o objetivo de transformar a política. Que a política brasileira anda muito mal das pernas isso não tem como negar, mas colocar toda essa responsabilidade de mudar a política nas costas de uma única pessoa é algo perigoso. Essa mesma esperança se colocou nas costas do Lula e deu no que deu: o símbolo da ética e da honestidade protagonizou o maior escândalo de corrupção da história desse país. Não tenho dúvidas de que, diferente do Lula que sempre usou a política apenas como forma de satisfazer sua sede de poder, Marina tem boas intenções. Ela tem sim o sonho de mudar a política e parece que sabe o caminho para isso, mas ela parece simplificar demais algo que é muito, muito complexo. 

Meu outro receio é com o fato de  Movimento Nova Política ser a base do futuro partido que será criado para lançar Marina candidata à presidência em 2014. Mas pera: criar um partido com o objetivo de lançar alguém como candidato: algo novo nisso? Mais da metade dos partidos brasileiros foram criados com essa mesma intenção. Além disso o MNP promete que, em seu novo partido, 50% dos membros serão "militantes autorais", ou seja, poderão usar o partido para defender uma causa pessoa na qual tenham o sonho de lutar. mas não é exatamente isso que faz o PMDB, PSB e o famigerado PSD do Kassab?

Outra: o partido promete não receber doações de empresa, apenas de pessoas físicas. Tá, mas o problema com o modelo atual de doação de dinheiro para campanha política não é necessariamente de onde vem as doações, mas sim o fato de essas declarações serem ocultas. E se a mesma empresa fizer uma doação "indireta", a partir do dinheiro pessoal do presidente da empresa, via CPF? E se um milionário cheio de segundas intenções resolve injetar dinheiro numa campanha? A forma pode ser diferente, mas a prática é a mesma. Não seria muito melhor que a mesma empresa que doaria dinheiro para uma campanha pudesse continuar doando, mas agora tudo declarado e exposto no site do partido? Para campanha do candidato X a empresa Y dou Z Milhões. Isso ainda seria melhor que o tal financiamento público de campanha, que nada mais é usar dinheiro público, já usado para pagamento de salário e despesas de político, agora também para as campanhas eleitorais. 

Ou seja, no papel, no discurso messiânico muita coisa parece bonita e suficiente, mas colocando-se a luz da realidade dá pra perceber que muito do que o tal Movimento Nova Política prega não funcionaria na realidade. Sonhar é muito bom, mas quando se trata de política e de decidir os rumos do país, é preciso sonhar acordado, com os pés no chão. 

Querer mudar por mudar, sem saber exatamente o que e como, pode ser tão danoso quanto deixar tudo como está. 

Me inspirei nesse post.Antes de simplesmente me detonar com críticas e ofensas entenda que tudo que tem boa intenção está passível de críticas. Inclusive a Marina Silva.

Que Paulistanos Somos?



2013 será um ano bastante importante pra São Paulo: Fernando Hadad, eleito em 2012, é o 46° prefeito da história da capital paulista, novos vereadores, a maioria em primeiro mandato discutirão os assuntos relevantes - ou irrelevantes, como sempre - vence o Plano Diretor atual da cidade, que terá de ser refeito, se encerra também o prazo da Agenda 2012, conjunto de metas lançadas no primeiro mandato do prefeito Gilberto Kassab e que consiste em diversos contratos assinados que deverão ser renovados ou cancelados pelo próximo prefeito. 

E essa semana vi uma iniciativa legal do Estadão de criar o site Que SP você quer?, onde paulistanos de todos os bairros podem dar sugestões do que pode ser melhorado na cidade. Mas, além de debater os problemas da cidade - que não são poucos, falta um debate bastante importante para SP: que tipo de paulistanos queremos ser para nossa cidade?

Ando muito pela cidade, tanto de dia como à noite, e percebo que um dos problemas de São Paulo não está na educação, transporte, moradia, saúde e outros clichês que todo mundo adora repetir sempre. Um dos grandes problemas de São Paulo é quem mora aqui. Somos um povo sem qualquer compromisso com a cidade, uma cidade de pessoas apáticas com tudo que esteja relacionado ao bem público paulistano. Para muita gente o que acontece em SP não é problema das pessoas. Falta apego à cidade, independente de ser paulistano da "gema" ou não. Essa falta de apego, de compromisso, gera pessoas desinteressadas pelo que a cidade produz e pelo que acontece aqui. Damos valor às praias cariocas, às belezas nordestinas, às lindas mulheres gaúchas, à Amazônia mas não damos o menor valor para o que acontece aqui.

Essa falta de compromisso com a cidade acaba por criar na mentalidade do paulistano uma ideia errada de que os problemas da cidade não são "problemas nossos". Se a cidade está suja a culpa é da prefeitura, mas ninguém pensou que alguém jogou aquele lixo ali. Se temos boas opções de cultura e lazer reclamamos porque queremos praia. Se o dinheiro da prefeitura some nas mãos de partidos já habituados a consumir o dinheiro público ninguém presta atenção. Somos uma cidade formada por apáticos, gente que não tem qualquer vínculo com o lugar onde moram.

Prova disso? Uma pesquisa feita no ano passado mostrou que mais da metade das pessoas que moram em SP iriam embora, se tivessem oportunidade. Ou seja, mais da metade dos paulistanos vivem aqui, mas não moram, não "moram" no sentido de ter apreço pelo lugar em que se vive e querer estar sempre aqui. SP é uma cidade onde as pessoas trabalham - e muito, criam família amigos, mas não tem qualquer sentimento pela cidade. Não criam vínculos com a cidade onde moram. Pelo contrário, querem que SP "se dane", como já ouvi várias vezes nos ônibus. Os rios de SP estão poluídos? Se dane a cidade. Temos pouco verde e nossas ruas estão totalmente cobertas por asfalto, o que acaba por impermeabilizar totalmente o solo impedindo que a água da chuva escoe? Se dane a cidade. Os vereadores não votam um projeto interessante para a cidade, e o Plano Diretor está há anos se arrastando? Que se dane a cidade. Essa é a mentalidade dos paulistanos. Da maioria, pelo menos.

Outra prova da falta de apego dos paulistanos com a cidade? Procure ver quantos dos que moram aqui conhecem a história da cidade. Porque São Paulo tem esse nome? Quem fundou a cidade? Passamos várias vezes pelo Páteo do Colégio (sim, é "Páteo", mesmo), mas poucos sabem que ali SP começou de verdade. Não temos o menor interesse em conhecer a história de SP em relação ao Brasil, nossa relação com os outros estados. Não nos interessamos em conhecer a história dos bairros de SP.  Muitos não sabem da importância do Ipiranga, da Avenida Paulista, de Santo Amaro (aliás, poucos sabem que Santo Amaro inclusive já foi uma cidade). Poucos sabem da Revolução de 32 - até hoje muitos paulistanos ainda não sabem qual o motivo do feriado de 9 de Julho. Os paulistanos sequer sabem a diferença entre paulista e paulistano. Muitos não conhecem o Hino dos Bandeirantes, o hino oficial do Estado de São Paulo, - bom, muitos nem sabiam que SP tinha um hino próprio; tá certo que com uma melodia muito bizarra, mas é o nosso Hino.

Falta em SP um certo "bairrismo", no melhor sentido possível, como se vê entre os gaúchos, por exemplo. Quer povo para ter mais apego ao lugar onde moram do que os gaúchos? E não me venha dizer "mas é claro, pois lá é bem melhor que SP", pois não é. Porto Alegre, por exemplo, tem tantos ou mais problemas urbanos que SP, e isso não diminui o amor dos portoalegrenses pela cidade. Falta o bairrismo que nos faz gostar da cidade onde vivemos e trabalhar para que ela seja um lugar ainda melhor. O bairrismo que nos faz orgulhar do nome, da bandeira da nossa cidade. O bairrismo que, mesmo para quem não nasceu aqui, faz SP ser a cidade onde a vida pessoal e profissional se concretizou. Falta amor pela cidade.

Sem isso não haverá saúde, emprego, transporte, habitação e blábláblá que torne nossa vida melhor aqui. Sempre irá faltar algo. O que falta é gostar de SP.


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