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Blog Novas Ideias

Quem disse que só tem um jeito?

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Quem disse que só tem um jeito?

"Bolsa-crack" e o festival de críticas sem fundamento


Vamos lá: pago uma Coca-Cola (desculpe aí, pastor Marcos) pra quem me explicar com detalhes o que é a tal "bolsa-crack" que virou o novo motivo de protestos dos revolucionários de sofá da internet. Alguém? 

Pra começo de conversa não existe nenhuma Bolsa-Crack. Existe uma realidade em São Paulo - e no resto do Brasil:  uma legião de viciados pelas ruas precisando de tratamento e não existem vagas para todos eles nos hospitais públicos. Além dos que estão nas ruas, há os que foram acorrentados em casa pela mãe numa atitude de desespero que teve de escolher entre cercear a liberdade do próprio filho ou vê-lo ser destruídos aos poucos pelo consumo desenfreado de drogas pesadas. Esses tampouco tem vagas disponíveis nos hospitais públicos. Então temos aí uma conta que não fecha: mais pacientes precisando de tratamento do que hospitais com vagas disponíveis para esse tratamento, certo? Lembrando que se você é um desses que acha que o problema das drogas deve ser tratado à bala, aconselho que desista de ler o post e vá ouvir o que o Bolsonaro tem a dizer. 

Em qualquer governo de qualquer estado desse país, se forem perguntar ao secretário de saúde como resolver o problema do vício em drogas você irá ouvir a mesma resposta: "estamos trabalhando exaustivamente contra o problema das drogas", "temos projetos para aumentar os leitos nos hospitais para tratamento", temos projetos para construir X novos hospitais", e enquanto esses leitos e hospitais não ganham forma física mais gente se degrada pelas ruas. Por outro lado, São Paulo tem clínicas particulares excelentes para tratamento de dependentes químicos, com padrão inquestionável de qualidade, e com vagas ociosas por um motivo simples: o tratamento nessas clínicas são caros, e são poucos que podem pagar por esses tratamentos. 

Recapitulado: temos pessoas precisando de tratamento contra a dependência química, os hospitais públicos não tem vagas suficientes, e temos clínicas particulares com vagas ciosas por serem caras. Está dando pra acompanhar até aqui?

O que o Governo do Estado de São Paulo, na pessoa do sr. Exmo Governador Geraldo Alckmin picolé de chuchu resolveu fazer? Ao invés de mandar os dependentes químicos esperarem por vagas em hospitais públicos, o Governo está levando esses mesmos dependentes químicos para essas vagas ociosas nas clínicas particulares. Tá, mas elas cobram caro por isso. Quem vai pagar? Para isso o Governo de SP criou o Cartão Recomeço, que custeia o tratamento dessas pessoas nas clínicas particulares. A família do dependente, depois de provar que não tem condições de custear por conta própria, recebe o cartão, que é usado apenas para pagar as despesas com o tratamento que a clínica aplicar ao dependente. Existe um limite para essas despesas? Sim, o valor limite é de R$ 1.350,00 mensais. A família recebe algum valor em dinheiro desse total? Nem um centavo, nem vai existir dinheiro físico nessa transação entre família/clínica/Governo.  Além de custear as despesas com a clínica, o cartão serve para que o Governo do Estado tenha o controle da frequência do dependente, para que se tenha a certeza de que ele está frequentando a clínica e está realmente recebendo o tratamento prometido. O benefício é dado por até seis meses em 11 cidades do interior de São Paulo. Não tem na capital? Não, porque o Governo levantou a quantidade de vagas da capital e viu que são suficientes, já que existem aqui os Cratods e uma parceria do governo com a Missão Belém. 

Então vamos confrontar a realidade com as críticas feitas na internet. Pelo que vem sendo falado, alguém criou uma "bolsa-crack", uma ajuda em dinheiro para a família do dependente, que pode usar como quiser, até mesmo para comprar drogas, se for o caso. A realidade é outra: o Governo vai custear o tratamento de dependentes em clínicas particulares. 

Alguns vão dizer: mas com isso o Governo está assumindo que fracassou na política de recuperação de dependentes químicos. Vamos combinar uma coisa: o que está em discussão não é se alguém fracassou ou não em alguma política de prevenção, se as drogas devem ser liberadas ou não, se a Marcha da Maconha é legítima ou não. O que está em discussão nesse momento é que existem pessoas, seres humanos, se degradando nas ruas. Depois a gente debate políticas públicas, se a maconha é mais leve que o álcool e blá blá blá. Primeiro vamos tentar ajudar a sair do vício quem quer ser ajudado, beleza?

Ficou claro? Vocês prometem que vão pensar duas vezes antes de comparar o projeto do Governo de São Paulo às famigeradas bolsas lulistas? Até porque se você chegou até o final desse post, com certeza você é uma pessoa esclarecida o suficiente para se informar antes de sair repetindo críticas vazias de tirinhas mal desenhadas espalhadas no Facebook pelos órfãos do Orkut.

É isso. Espero ter ajudado. 

#BloGirl: Carol Vasconcelos


E pensar que houve um tempo, na adolescência, em que ela era ignorada e só era procurada quando algum amigo queria o contato de alguma amiga bonita dela. Boa hora de rir em silêncio desses manés enquanto vê o mulherão em que ela se transformou nesse ensaio maravilhoso da Revista Vip, né? rs

Ainda não sabe o que é o BloGirl? Mesmo depois de 7 meses no ar? Tá bom, a gente explica aqui.

Agora aprecie (Se você é menor de 18 anos ou se incomoda com imagens de conteúdo sensual não continue a ver o post):












Pode ser Pepsi, pastor Marcos?


Enfim prenderam o pastor Marcos Pereira. Mas não pelo crime que ele e vários outros pastores cometem: a exploração da boa fé com base nas promessas de curas e boa vida atreladas à filiação a uma determinada igreja e à contribuição em dinheiro de determinados valores. Desse crime ele e os demais ainda podem ficar tranquilos. Mas ele foi preso por outros, tão crueis quanto o primeiro: estupro, homicídio, lavagem de dinheiro e por aí vai. 

Só agora, que ele veio à tona novamente, vieram prestar atenção na igreja dele, uma tal de Assembleia de Deus dos Últimos Dias - minha oração é para que sejam os Últimos Dias desse bandido como pastor. E parece que se surpreenderam com algumas "proibições" da tal igreja dele: lá os membros são proibidos de usar qualquer roupa com as cores vermelha ou preta. As mulheres são proibidas de usarem vestidos que marquem a cintura - só podem usar túnicas. Se não me engano também são proibidas de ver TV e - pasmem - são proibidos de tomar Coca Cola. Não resisto perguntar: pode ser Pepsi?

Mas o fato é que essa igreja dele não é a única a impor essa série de restrições aos seus membros. Eu cresci num ambiente rodeado de proibições, desde ver TV até praticar qualquer esporte, tudo sob a alegação de estar vinculado ao diabo e afastar de Deus. Ler livros que não fossem escritos por evangélicos, ouvir música não evangélica, usar bermuda, usar camiseta regata, mulheres não podem usar qualquer tipo de maquiagem nem calça - apenas saia, ter amigos não evangélicos ou mesmo evangélicos que não fossem da mesma igreja que a minha (essa mesma regra se aplicava ao namoro), dançar festa junina, cumprimentar uma mulher segurando a mão dela - com beijo então era impensável, entre outras coisas, estão na lista das proibições a que fui exposto durante toda minha infância e adolescência. A Igreja? Assembleia de Deus, que hoje já não é tão xiita como antes. Mas ainda há algumas igrejas que continuam com esse mesmo discurso (pergunte a qualquer evangélico sobre a Igreja Deus é Amor, do Missionário David Miranda, também acusado de diversos crimes). Essas proibições são conhecidas como os "usos e costumes", um nome bonito e cheio de pieguice para mascarar a tendência islâmico-cristã de dominação total que a igreja tenta exercer sobre a vida privada das pessoas. 

E o pior é saber que há - muita - gente que acredita cegamente nessas proibições. Essas regras exercem um poder devastador de alienação social sobre essas pessoas, que não se veem com a menor capacidade de questionar as regras da liderança - qual evangélico nunca ouviu um pastor dizendo que "a dúvida não vem de Deus, mas do diabo?". O próprio fato de proibir qualquer contato com formas de pensamento diferente - a TV, pessoas de outra religião, é uma forma de isolar essas pessoas do mundo, para que elas não tenham com o que comparar a fé que professam e possam repetir o mesmo discurso vociferado pelos líderes nos microfones de templos Brasil afora. 

Já disse outras vezes e repito: todo mundo tem o direito de professar a fé que quiser. Mas em qualquer fé que você siga existem algumas coisas a serem observadas. Uma delas é sua capacidade de questionar. Sua religião coíbe sua capacidade de questionar? Pensa seriamente se vale a pena continuar nela. 

Eu pensei, e saí enquanto era tempo. 

"Cinquenta Tons de Cinza" e a demanda sexual reprimida



Que a trilogia erótica Cinquenta Tons de Cinza é um sucesso é até desnecessário falar. Basta sair na rua em SP para cruzar com alguém lendo avidamente um dos livros nos ônibus, metrô, filas e etc. E é fato também que a trilogia não é nenhuma novidade no campo da literatura erótica. Há outros vários livros, alguns de excelente qualidade, outros nem tanto, que abordam a sexualidade com a mesma naturalidade da sra. E. L. James, haja vista o excelente romance Lolita, do russo Vladimir Nobokov, publicado em 1955, que consta a história de um homem de meia idade que se apaixona pela enteada de 12 anos. Sim, 12 anos. Sim, a pedofilia é um tema presente no livro. Sim, o livro gerou muita repercussão quando foi lançado, e o sucesso de vendas correspondeu à altura da repercussão e das críticas. Ou seja, não há nada novo em se ver livros que abordam o sexo de maneira aberta. 

O curioso de Cinquenta Tons de Cinza é o público que vem conquistando, predominantemente feminino (a própria autora, numa entrevista à Globo News, disse que não escreveu o livro para homens, e não consegue entender o que leva os homens a lerem seus livros). Está claro que, mais do que uma demanda por uma literatura contemporânea que aborde o erotismo, a trilogia revela uma sexualidade reprimida nas mulheres,  um desejo de liberdade sexual e realização de fantasias eróticas que encontra afinidade na história do casal Christian Grey e Anastasia Steele, adeptos do sexo sem qualquer limites. Apesar da revolução sexual dos anos 60 e da extrema liberdade de comportamento dos dias atuais, o tabu ainda tem uma força enorme no sexo e parece que agora são as mulheres quem estão tentando trazer o tema para o debate, livre das opiniões e imposições sobre o que é certo e errado no sexo da visão predominante no Brasil, um país declaradamente machista. Parece que as mulheres, diferente do que se pensa, tem sim muita vontade de inovar e renovar sua vida sexual, mas ainda encontram forte resistência do lado masculino, daí a afinidade com o livro. 

Não, não li o livro e não tenho curiosidade em ler, mas é interessante o movimento que a trilogia está provocando. Como tenho dito algumas vezes, o Brasil atual está numa fase de transição, uma mudança radical de comportamento da sociedade que engloba vários aspectos. Pelo jeito o sexo está incluso nessa mudança. Isso é bom. Bom para acabar com a hipocrisia do puritanismo - quase sempre religioso - que ainda toma conta da cabeça do brasileiro e dar liberdade para cada um para agir conforme considere adequado. Aqui no Blog Novas Ideias mesmo já há uma iniciativa para confrontar o puritanismo brasileiro: a seção BloGirl, que trás todo mês um ensaio sensual exaltando mais que a beleza: a delicadeza feminina, expressa em cada detalhe do corpo. 

Se for para gerar debate e propiciar mudanças positivas, que venham mais tons de cinza na literatura. 

#Música Graforreia Xilarmônica - Tantas Tendências



Não me espantaria se você dissesse que não os conhecia. Mas se você curte boa música feita por brasileiros - o que está tão difícil de encontrar hoje em dia - deveria conhecê-los, tanto porque eles estão entre as bandas confirmadas para o Lollapalooza, que acontece esse mês em SP. Graforreia Xilarmônica  não é uma banda nova. Surgiram em 1987 no Rio Grande do Sul - que vem despontando cada vez mais como fonte de boa música -  com inspiração clara na Jovem Guarda e a proposta de fazer um rock leve, bem humorado. O bom humor já começa no próprio nome da banda, que não significa exatamente nada! O nome surgiu de uma brincadeira dos componentes, que fizeram uma junção improvavel de palavras aleatórias do dicionário. 

Tantas Tendências é um bom exemplo do estilo da banda. 

 

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