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Blog Novas Ideias

Quem disse que só tem um jeito?

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Quem disse que só tem um jeito?

Aldo Quintão, o padre anglicano



Publicado no site da revista Brasília em Dia


Com quase 50 anos de idade, o reverendo Aldo Quintão, que começou como engraxate, ajudando o pai, em Taguatinga, desde cedo pensava em ser padre para propagar a palavra de Jesus Cristo. Ele recorreu ao padre da paróquia, que o ajudou a realizar o sonho de entrar no seminário, em Itu (SP), onde iniciou sua trajetória. Ele se formou em 1981 e passou para o noviciado como Frei Aldo. Aos 23 anos, em 1984, foi encaminhado para a Paróquia Nossa Senhora do Carmo, na cidade de São Paulo.

Ele não se adaptou às doutrinas da Igreja Católica e decidiu deixar de ser frade, porque não concordava com as regras impostas pela instituição. Normas que ele considerava hipócritas e, por exemplo, não permitiam que os fiéis sequer usassem a camisa de vênus, o preservativo masculino. Sem ter onde morar, ele procurou abrigo em um cortiço na rua Bela Cintra, na capital paulista. Para sobreviver, ele vendia jornal usado para donos de mercadinhos e feirantes. Justamente em um momento muito difícil, ele conheceu sua atual esposa, a odontóloga Ana Paula, com quem tem um filho. Quando ele não recolhia jornais para vender, atuava como voluntário na Favela do Real, alfabetizando crianças carentes. Logo depois, ele recebeu um convite para fazer palestra sobre trabalho solidário no colégio Pio XII. Em seguida, passou a dar aulas de teologia também.

Por fim, Aldo Quintão chegou à conclusão de que precisava voltar a pregar. Em 1995, ele optou pela Igreja Anglicana e começou a frequentar a Catedral de São Paulo. Em 1998, ordenou-se padre anglicano. Hoje, ele é conhecido no país inteiro. Seus cultos são transmitidos ao vivo pela internet e despertam fiéis em muitas regiões do país, porque fala tudo o que pensa. Assim, sua personalidade serviu para consolidar a fama de ser um religioso polêmico.



O senhor defende o aborto e o homossexualismo. Esses foram os pontos mais críticos que o levaram a deixar a Igreja Católica Romana?

Se você perguntar para qualquer pessoa e, em especial, para qualquer mulher, ninguém é a favor do aborto. O aborto não é maravilhoso, fantástico, gostoso. É igual quando você vai fazer um tratamento dentário. Quem é que gosta de ir ao dentista, de ter um dente obturado ou fazer um canal? Mas é uma situação que, às vezes, é necessária para a saúde. A questão do aborto pertence à área de saúde pública. É absurda a quantidade de mulheres que morrem neste país por causa dos abortos clandestinos... Então, descriminalizar o aborto não é uma questão de fé e de Igreja, mas de saúde pública. Cada Igreja vai ter sua visão e orientar os seus fiéis, mas - em termos de lei - eu sou a favor da descriminalização. Por exemplo, sou a favor da união civil entre pessoas do mesmo sexo. Estou falando como cidadão, como uma pessoa civil. Agora, se a Igreja quer pregar que não haja a união, tudo bem.


Por que o senhor é favorável?

Porque conheço jovens, homens e mulheres, que foram expulsos de casa pelos pais porque eram homossexuais. Eles vão lutar, trabalhar, construir uma vida, ter seus bens patrimoniais e, de repente, se eles morrerem, a herança deles fica para quem os colocou para fora de casa, para quem não quis ser pai ou mãe deles, para quem tratou aqueles seres humanos como aberrações. Então, que eles tenham o direito de dizer para quem eles vão deixar aquilo que eles amealharam em uma vida de lutas, seja seu companheiro ou sua companheira. É uma questão civil e de amor também. Hoje, a ciência já mostra que ser homossexual não é ser doente. Muitas vezes, a pessoa nasceu assim. Eu duvido que Jesus Cristo diria: “Não quero você, não aceito você”.


Os debates que tomaram conta da mídia a respeito do aborto colaboram ou disseminam o preconceito sobre o assunto?

O preconceito está crescendo, porque a candidata Dilma poderia ser firme no posicionamento dela. Em entrevistas antigas, ela se dizia a favor, argumentando que era uma questão de saúde pública. E agora ela vem apresentando fotos dela fazendo primeira comunhão... Se bobear, daqui a pouco, ela é candidata a papisa. Isso não ajuda em nada. O Serra, que foi ministro da Saúde, poderia ser também mais incisivo. Ele até falou sobre a união civil. Disse que “cada igreja que se posicione de uma forma” e assumiu ser favorável. Acho que essa postura deveria existir também quanto à questão do aborto, mas com clareza.


E quanto à presença de líderes religiosos em programas eleitorais?

Chamar padres e pastores radicais para esses programas não leva a nada, porque a Igreja não pode ditar normas para a sociedade civil, porque nem todos da sociedade são católicos, evangélicos ou protestantes. Devemos ter uma sociedade para todos: ateus, agnósticos, cristãos, muçulmanos, judeus... Deve existir um consenso.


E como deveria ser?

Assim: não um aborto descriminalizado, porque ninguém está falando disso, pois algumas pessoas partem logo para a ignorância. Quem for ler a entrevista, depois, vai dizer: “Nossa, esse padre é louco, como ele fala de aborto, de união civil, isso é contra Deus, isso não está na Bíblia!”. Olha, se a gente for ler a Bíblia literalmente pode se confundir. Por exemplo, quem tem problema de visão não pode ir à igreja, porque o Levítico diz: “Aquele que tem problema de visão não deve se aproximar do altar de Deus”. E quantos padres, pastores e fiéis usam óculos ou lente? Aquilo é um conceito da época, você não pode levar tudo ao pé da letra!


A questão do aborto é uma visão machista?

Muito machista! O mais famoso caso de infidelidade da Bíblia é o da mulher adúltera. O texto bíblico é muito claro quando diz assim: “esta mulher foi presa em flagrante adultério”. Tudo bem, mas ela foi pega com quem? Cadê o homem? Ele não foi levado a julgamento. Ou a mulher iraniana que querem apedrejar [Sakineh Mohammadi Ashtiani, condenada pelo governo de Mahmoud Ahmadinejad] não estava com alguém? Por que ninguém fala do companheiro? Cadê o homem que estava com ela? Então, sempre sobra para a mulher.


O senhor já foi ajudante de engraxate de seu pai e, hoje, é um dos reverendos que mais têm fiéis no Brasil. O que trouxe essa mudança para sua trajetória?

Primeiro, devo tudo a Deus. Em seguida, devo aos dois catequistas da minha vida com muito orgulho: o sapateiro (meu pai, que completará 80 anos) e a servente (minha mãe, que tem 75). Tudo que tenho devo a eles. Eles são mineiros de perto de Belo Horizonte e vieram para Brasília com quatro filhos, na época da inauguração, para tentar a vida. Eu nasci aqui. Meus pais começaram uma vida de muita dificuldade, de retirantes. Depois de mim, nasceram mais dois irmãos. Apesar de tanta luta e dificuldade, nossa vida em casa sempre se pautou por trabalho, seriedade, honestidade e fé.


O senhor almejava a vida religiosa?

Quando eu tinha uns 10, 11 anos, pensava em ser padre. Achava bacana todo mundo reunido na igreja, rezando, falando das suas lutas, das suas alegrias, incertezas, vitórias, derrotas... Fiquei com aquilo na minha cabeça. Mas como a gente era muito pobre, era difícil poder imaginar que alguém da família iria estudar, mas continuei com esse sonho.


O que o ajudou?

Quando eu ia aos prédios do Plano Piloto, recolhia jornais e revistas que as pessoas jogavam fora. Era muito comum eu pegar O Globo, Jornal do Brasil, as revistas... Então, tive uma vantagem, porque lia as colunas do Nelson Rodrigues, entre outras. Assim, mesmo sendo um menino simples e humilde de uma vila de Taguatinga, comecei a ter acesso à leitura e à cultura. Meu pai também sempre obrigava a gente a ver jornais da TV e a ouvir rádio.


Quando o senhor decidiu entrar para o seminário?

Aos 16 anos, eu fazia “bicos” nas feiras livres de Taguatinga. Assim, juntei um dinheiro, comprei meu enxoval e no mesmo ano pedi minha entrada no seminário dos padres carmelitas. Em 1979, saí da casa dos meus pais e fui atrás do meu sonho.


E onde foi feito o seminário?

Entrei no seminário Nossa Senhora do Carmo de Itu (SP). Fui fazer o colegial, que a gente chamava de seminário menor, e ao final, no ano de 1981, fui para o Nordeste, onde fiquei dois anos estudando, e mais dois em Curitiba. Depois, fui para São Paulo. Eu já era então um frade e, assim, realizei meu sonho de poder ser um religioso. A seguir, comecei a dar aulas.


E depois?

Um novo horizonte se abriu para mim: tive uma crise pessoal e particular, que não credito a ninguém, nem à Igreja Católica Apostólica Romana, nem aos bispos, nem ao papa, porque foi uma coisa minha. Senti, aos 24 anos, que algumas coisas que eu pregava e dizia não eram condizentes com a realidade da sociedade e nem com aquilo que eu pensava.


Por exemplo.

Comecei a lidar com muitas pessoas e vi seu sofrimento. Vi que elas, muitas vezes, vinham de outras cidades, não eram casadas e não tinham como fazer o casamento, só viviam juntas, não conseguiam contingenciar o número de filhos, sustentar a família numerosa... De repente, eu representava uma instituição que não dava espaço para essas pessoas, que não podiam participar da Igreja. Já esta, por sua vez, não pode limitar o número de filhos, porque a ciência não é bem vista por ela, nem o estudo das células-tronco... Isso tudo não estava batendo com o que pensava. Então, deixei a Igreja e fiquei com minha vida de professor, ministrando aula nos colégios Pio XII e São Luís dos Jesuítas, em SP. Tive sucesso social e econômico, mas voltou a me dar um vazio na vida. Podia viajar nos fins de semana para descansar, mas não era aquilo o que eu queria.


Como o senhor se sentia?

Muito só. Então, comecei a namorar a Ana Paula, minha primeira namorada. Eu também fui o primeiro namorado dela. Depois de quatro anos, em 1988, nós nos casamos. Em 1989, tivemos nosso primeiro e único filho, Leonardo. Continuei trabalhando na educação. Eu estava muito bem na minha vida familiar, mas continuava com aquele vazio.


O senhor pensou em voltar à Igreja?

Não poderia, porque ela não admite padres casados. Aí, eu conheci a Igreja Anglicana. Aliás, eu fiz um percurso por várias igrejas (protestantes, evangélicas...), estudando e avaliando para tomar uma decisão para não me sentir descontente de novo. Não era um problema das igrejas e nem da norma, porque o problema era meu, em qual igreja eu me situaria.


Onde o senhor conheceu a Igreja Anglicana?

Em São Paulo. É uma Igreja eminentemente inglesa. Foi a primeira Igreja não romana no Brasil. E essa paróquia onde estou é inglesa. Nunca houve nela um padre brasileiro. Aliás, os que eram brasileiros eram filhos de ingleses. Fui até lá mesmo sem falar uma palavra em inglês, que, por sinal, não falo até hoje. Conheci a catedral e gostei do jeito inglês de ser. Não havia mais do que dez brasileiros na igreja. Conversei com o bispo na época, fui estudando um pouco mais da teologia anglicana e pedi para fazer parte do clero. Fui ordenado há doze anos, sendo o terceiro na igreja. Uma ou duas vezes por mês, eu fazia a celebração.


E depois?

Com o passar do tempo e a aposentadoria do bispo, comecei a desenvolver um trabalho com os brasileiros, aquele no qual eu acreditava e com o qual eu tinha uma história de vida: falar de um Deus maravilhoso, carinhoso, que ama e aceita as pessoas do jeito que elas são. É evidente que Deus quer que a gente melhore, é igual a um pai de família. Por exemplo, alguém quer ser pai ou mãe, deliberadamente, de um homossexual? Não, não quer. Mas se o filho for gay, o que eu faço? Jogo fora, descarto, expulso da minha casa ou eu amo? Eu vou amá-lo. Você quer que seu filho se divorcie? Não, não quer. Mas se divorciou. E aí? O que você faz? Diz: “na minha casa você não entra mais”? Ou diz: “quero meu filho comigo, porque é nessas horas que eu quero oferecer o meu colo”?


Para o senhor, o que diferenciou a Igreja Anglicana das demais?

Descobri esse jeito de ser de uma igreja que acolhe, que ama e que não é punitiva. Encontrei um Deus que não persegue, que não fica vigiando, mas amando, cuidando e zelando, e comecei a falar disso para as pessoas, sem grandes teologias e filosofias, porque o mundo não precisa disso. Podemos ter acesso a tudo, mas isso não garante nossa felicidade. Nós precisamos é de amor, carinho, um local onde possamos ter paz, harmonia, acolhimento, como minha casa, onde eu vivia quando era criança. Nós éramos nove e faltava tudo, mas a gente não ligava, porque o importante não faltava: tínhamos amor e carinho. Dividíamos o pão, o arroz e o feijão da mesma forma que dividíamos o amor, o perdão e a reconciliação. O bem-estar está dentro da gente quando estamos com este Deus maravilhoso.


A discriminação acarreta o quê?

Faz, por exemplo, o homossexual ter uma vida promíscua, e isso não está correto. Não sou a favor da promiscuidade. Sou favorável que a pessoa tenha uma vida feliz com seu parceiro. Se você não permitir que uma pessoa que foi estuprada ou que uma moça que tem um feto com anomalia tenham direito a uma saúde decente e a um acompanhamento médico às claras, o que elas vão fazer? Vão para a clandestinidade, para a morte. Aliás, essa é uma posição machista, porque a maioria do Congresso Nacional é composta por homens.


E quanto à abordagem de outras doutrinas? Como o senhor administrou essa relação?

Isso para mim é muito simples. Um jogador de futebol, quando se destaca, tem o passe dele comprado por outros times, e isso é muito normal, porque ele vai, então, oferecer seu talento para aquele novo clube. A mesma coisa ocorre no meu caso.


Recentemente, ocorreram denúncias sobre o envolvimento de líderes religiosos em esquemas de corrupção de fiéis. O que o senhor pensa a respeito?

Graças a Deus, recebi uma herança na Igreja Anglicana e que eu acho fantástica: a auditoria da PricewaterhouseCoopers [PwC], maior empresa desse segmento no mundo. Assim, somos a única igreja auditada no Brasil. E eu digo que deveria haver uma lei no país para que todas as igrejas pudessem prestar contas de seus ganhos, em igualdade de condições com todos aqueles no Brasil que geram riquezas. Tudo isso acompanhado por técnicos do Banco Central, da Receita Federal...


Seria necessário haver uma lei nesse sentido?

Aliás, não deveria ser necessária uma lei, porque as igrejas deveriam fazer isso por ética, por moral. Não estou dizendo que todas as igrejas são desonestas ou vivem para ganhar dinheiro, mas não podemos negar que virou moda o slogan “Pequenas Igrejas, Grandes Negócios”. Assim como igreja proprietária de várias emissoras de TV e rádio, construindo palacetes imensos e, às vezes, com dinheiro não contabilizado.


Como a igreja, que não paga impostos, contabiliza o dinheiro de doação dos fiéis?

Isso é uma coisa da igreja, uma coisa pessoal e particular. Não existem padres e pastores que montam igreja para ganhar dinheiro. Existem, sim, pessoas que se dizem padres e pastores e que abrem igrejas, como se fossem empresas, para ganhar dinheiro. Depois, essas mesmas pessoas corrompem os fiéis e se vendem para os políticos.


E quanto às igrejas que fazem acordos políticos?

Em todas as eleições, as mesmas igrejas fazem acordos políticos. As igrejas sérias não fazem isso. E agora eu vou parafrasear alguém: “nunca na história deste país”, em tempos de eleição, você viu uma Igreja Católica Apostólica Romana, Anglicana, Luterana, Metodista, Batista e Presbiteriana, que são as mais antigas e mais sérias, fazendo acordos e levando políticos para pregar nos seus templos. Isso não ocorre. E acordos políticos do tipo: “se eu for eleito, vou dar um terreno para você, além de tijolo, telhado e até pagamento”. Existem padres e pastores que são cabos eleitorais!


E há, ainda, aqueles que se candidatam a cargos políticos.

Como é que um religioso consegue passar incólume às negociatas políticas? Como? É difícil!


Para o senhor, o poder corrompe?

Claro! É impossível que não seja assim. Disse Jesus Cristo: “Não é possível servir a dois senhores”. Ou você é político ou você é religioso. Eu sou a favor que as igrejas incentivem pessoas sérias, honestas e corretas a disputar cargos políticos, até para melhorar a sociedade. Bons advogados, médicos, economistas, professores, jornalistas...


Esse é o seu jeito de pregar?

É meu jeito de pregar, de trabalhar, de falar na igreja, minha forma de ser: claro e transparente. Quando eu fundei o Instituto Anglicano, para ser o braço social da igreja, construí quatro creches com trabalho e esforço da comunidade e da igreja, todas auditadas pela PwC. As creches atendem a 620 crianças, com 3.100 refeições diárias, em convênio com a Prefeitura Municipal de São Paulo. Faço isso porque faz parte de minha história. Teria sido muito importante se minha mãe tivesse tido a oportunidade de nos colocar, eu e meus irmãos, em uma creche, para que a gente tivesse quatro, cinco refeições por dia, além de educação, cultura e convivência melhor com outras crianças. Não tivemos essa oportunidade, mas fui abençoado para que pudesse fazer isso.


Como funciona essa atividade sua?

Faço um trabalho com todos os pais, e aí não entra religião. Nas creches não há religião. Isso vale para todas as crianças. Agora, os pais são educados, todas as crianças têm carteira de vacinação, as mães têm de fazer um acompanhamento de saúde, de acordo com a lei, conforme estabelece o Conselho de Medicina.


Como é feito esse acompanhamento?

Com o controle de natalidade, porque não dá para você morar em um barraco e lotar sua casa de filhos! Mas também não posso pedir para você acreditar no método da tabelinha se você não sabe nem fazer contas, nem ler e escrever. Mas posso pedir que você vá ao médico, para que ele diga que você pode ter uma vida sexual ativa e saudável, controlando a sua prole. Pronto, isso a gente pode. Essa deve ser a postura da igreja, mas não a de se posicionar na política partidária.


O senhor se posiciona politicamente?

Sim, mas não na igreja, não no púlpito. Mas se você me perguntar qual é minha postura política, não escondo. Agora, na igreja, não. Lá eu só anuncio Jesus Cristo. Só falo de amor, caridade e de Deus. Por isso saí da Igreja Católica Apostólica Romana e vim para a Igreja Anglicana. Por isso resisti ao assédio de outras denominações religiosas, porque eu não vou vender meu passe para pregar algo em que eu não acredito ou para fazer “rebanhão”. Estou aqui para fazer um trabalho no qual eu acredito desde criança.


A Bíblia é machista?

A Bíblia é um livro extremamente machista. Você observa que, primeiro, foi escrita por homens. O maior divulgador da palavra de Jesus Cristo foi Paulo, o apóstolo, que era extremamente machista. Ele mandava a mulher ir para a igreja, botar um véu e calar a boca, ficar quieta. Ele escreveu que o homem é superior à mulher, que ela deveria ser submissa. Agora, isso é um contexto da época, valia para aquela época. Quando as igrejas usam esse texto de Paulo, por que não usam a palavra dele quando ele diz: “Escravos, sejam submissos aos seus patrões”? Afirmam: “Não, mas esse é um contexto da época”... Observe que só é contexto da época quando interessa! Quando não interessa, já não é mais, já leva como uma doutrina. E, geralmente, só se leva como doutrina aquilo que permite que eu exerça poder sobre as pessoas. O que não convém não se ensina mais. Talvez seja esta a razão da resposta à primeira pergunta que você me fez, porque não acredito que sou o dono da verdade, só não sou hipócrita!


Mas o senhor é considerado polêmico. Como se sente assim?

Não sou polêmico, não carrego bandeira, apenas defendo a humanidade, as pessoas. Não procuro usar do medo e da coerção para que a pessoa vá à igreja. Eu vou por amor a Deus, por temor, quero ter paz, viver bem e desejo que meu próximo também tenha paz. Seja ele rico, pobre, preto, branco, homem, mulher ou gay, todos têm o direito de estar com Deus. Cada um tem sua história de vida. Não adianta querer fazer da humanidade uma coisa homogênea, porque ela não é homogênea: é heterogênea, é plural! Existem pessoas que gostam de ir à igreja e ficar meia hora, 40 minutos, em absoluto silêncio; outras já gostam de guitarra; outras ainda preferem música clássica... Assim é a vida! Eu vivo na sociedade, e ela precisa de normas, de leis e regras, existem as convenções, mas elas não existem para amarrar as pessoas

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