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Blog Novas Ideias

Quem disse que só tem um jeito?

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Quem disse que só tem um jeito?

#Opinião Marcos Archer e os extremistas brasileiros


E a Indonésia enfim levou à cabo a execução do brasileiro Marcos Archer, preso em 2004 por tentar entrar no país com 13 quilos de cocaína nos tubos de uma asa delta. Mesmo com todos os pedidos de clemência do governo brasileiro, de organizações de direitos humanos e da família e amigos do condenado, o presidente indonésio preferiu manter sua promessa de campanha - Joko Widodo foi eleito no ano passado com promessa de tolerância zero ao tráfico de drogas. Marcos passou por todas as etapas processuais indonésias e foi condenado em última instância à pena máxima. A execução aconteceu à meia noite e meia de domingo 18 de janeiro, 15:30 de sábado 17 de janeiro no horário de Brasília, por fuzilamento. 

Sim, houve uma mobilização intensa no Brasil em favor da vida de Marcos Archer, afinal trata-se de um brasileiro levado à pena de morte, o primeiro na história do país. Mas essa mobilização não atingiu a sociedade brasileira. Muito pelo contrário. Nas ruas e na internet o que se ouve e se lê é "merece morrer, mesmo", "quis mexer com drogas olha o que deu", "se aqui no Brasil fosse assim a coisa não estava essa bandalheira toda" e coisas do tipo. Sim, a mobilização nas ruas foi a favor do governo indonésio e pela execução de marcos.

Os que são a favor da pena de morte não são maioria no Brasil, pelo menos conforme a pesquisa Datafolha feita em outubro de 2014, que dizia que 52% dos brasileiros não concordam com a pena de morte mesmo em caso de crimes graves. Mas a minoria que é a favor é, como em todas as minorias, um grupo barulhento capaz de qualquer coisa para se fazer ouvir. E a internet, essa suposta terra-sem-lei onde se diz o que se quer sem punição alguma, parece ser o terreno perfeito para isso. O teor dos comentários, como era de se esperar, é violento. Pessoas não argumentam a favor da pena de morte, atacam os que são contra. Usam palavras baixas e chavões ("bandido bom é bandido morto", e por aí vai) para expor o que pensam. Ancoram-se em programas pseudo-jornalísticos de TVs popularescas com apresentadores que vivem de vociferar ódio, de dentro de seus estúdios confortáveis e com ar condicionado. 

É bem verdade que estamos tão acostumados com nossas leis avacalhadas que quando vemos uma lei ser aplicada com rigor nos assustamos. Estamos tão acostumados ao "jeitinho" brasileiro onde uma propina resolve tudo, onde um bom advogado livra de qualquer processo, onde um sujeito mata pessoas no trânsito e sai da cadeia pela porta da frente depois de pagar uma fiança miserável que nos escandalizamos com um crime sendo realmente punido. E sim, Marcos Archer cometeu um crime grave. 13 quilos de cocaína é uma quantidade muito grande, capaz de fazer estragos irreversíveis em muita gente. E pior ainda, transportar isso internacionalmente. Marcos foi além de tudo o que se considera como crime por qualquer sociedade civilizada. Sim, ele merece ser punido com rigor, mesmo que não tivesse histórico de tráfico de drogas. Se não tivesse sido pego, sabe-se lá quantos quilos mais ele iria continuar transportando mundo afora. Ele não matou ninguém, mas a quantidade de pessoas que poderia prejudicar caso essa droga chegasse ao seu destino seria incalculável. 

Mas aí entramos num dilema. A morte é realmente a punição mais eficiente? Será que existe alguém com direitos legais de tirar a vida de outro, independente do que esse outro tenha feito? Quando defendemos que alguém deve pagar com a vida, nos igualamos ao criminoso, pois essa é a sua lógica. Vivemos no século XXI, mas ainda temos a mentalidade dos antigos cangaceiros que matavam para vingar crimes cometidos. Ou para ir um pouco mais atrás na História encontramos essa mentalidade no Código de Hamurabi, em 1780 AC, que continha elementos da famosa lei de talião, que pregava a reciprocidade na punição de um crime, o famoso "olho por olho, dente por dente".

Se ainda não conseguimos evoluir para uma mentalidade em que a morte esteja prescrita como forma de punição não podemos nos chamar de sociedade desenvolvida. A Indonésia vai na contramão de um mundo que pede mais civilidade. E mesmo que se aplicasse o Código de Hamurabi na Indonésia, a punição a Archer foi completamente desproporcional ao crime cometido. Ele não matou nem feriu ninguém.

Mas os extremistas concordaram com a punição. Talvez os que concordem com a pena de morte a Archer são os mesmos que compram DVD pirata, baixam filme e música pela internet, compram equipamentos para piratear TV a cabo, se esbaldam na 25 de Março com bolsas Luis Vutton falsificada ou com Windows e jogos para PS4 pirateado, todos esses crimes também previstos em Lei, mas cuja punição, qualquer que fosse, seria considerada "exagerada". Sim, pois nossa ética é seletiva: apoiamos punição severa e inclemente para crimes cometidos pelos outros, apenas pelos outros, e preferencialmente se o outro for alguém que não conhecemos e de quem nunca ouvimos falar.

E assim caminha a sociedade brasileira. Rumo a não sei onde, mas caminha. Perigosamente.

#Opinião A Rainha sem reino


Dona Maria das Graças é uma senhora de 51 anos, gaúcha de boa aparência, que teve uma juventude bastante ativa. Trabalhou bastante, fincou bases num público alvo bem específico, foi muito querida pelo seu público e bem sucedida profissionalmente. Construiu sua empresa, que virou um pequeno império em seu ramo de atuação. Dona Maria das Graças podia se considerar uma mulher bem sucedida. Assim como qualquer mulher jovem na sua época, quis ser mãe e realizou seu sonho, mas isso não a impediu de continuar trabalhando, assim como muitas mulheres Brasil afora. Agora, além de bem sucedida profissionalmente, era realizada em sua vida pessoal. Porém, como em qualquer área, sua profissão tornou-se obsoleta. Seu público alvo mudou e passou a preferir outras coisas além do que ela tinha a oferecer. Apesar do sucesso, ela não tinha nada mais a oferecer além daquilo que já fazia, e ela se viu sem trabalho. Tentou algo diferente, mas aprendeu a fazer apenas uma coisa na vida, o que a limitou em sua carreira. Hoje essa senhora se encontra em uma crise pessoal, por ver que seu trabalho de anos ao qual dedicou tempo e amor se tornou completamente arcaico e viu que não sabe fazer outra coisa além daquilo. Hoje corre o risco de perder o emprego que ainda conserva, além da possibilidade de ir para uma outra empresa infinitamente menor, em recursos e relevância. Dona Maria das Graças enfrenta hoje um dilema para o qual não sabe qual decisão tomar. 

Essa poderia ser a história de qualquer mulher de meia idade no Brasil. Só faltou acrescentar o último sobrenome da nossa personagem: Maria das Graças MENEGHEL. Sim, essa é a situação atual da outrora "Rainha dos Baixinhos". 

Xuxa foi sim a maior apresentadora infantil do Brasil. E não seria exagero dizer que ela foi a mulher que mais influenciou uma geração desse país. Quem com menos de 30 anos nunca assistiu um programa da Xuxa? Quem nunca viu um dos filmes dela? Mesmo que ela não tenha sido a mais simpática das apresentadoras infantis (Ahan, Cláudia! Senta lá!) ela foi a mais importante e a mais presente nas casas de várias famílias em todo o país.Seu nome tem força de marketing. Vendeu milhares de produtos, gravou discos, criou sua gravadora e tornou-se a Rainha de um pequeno império empresarial, além do já famoso reinado sobre as crianças na TV, a "Rainha dos Baixinhos", título dado a ela por uma emissora que vive de dar títulos de nobreza a seus artistas. 

Mas os súditos do reinado de Xuxa cresceram. As crianças que se sentavam a manhã inteira para a ver na TV passaram a trabalhar, a sair com amigos e namorar. As novas gerações que vieram parece que não se interessaram tanto pelo império da Rainha como os súditos anteriores. Seu Reino foi dividido em pequenas repúblicas, governadas pela internet e pelo video-game, além de outros pequenos impérios dominados pela TV a cabo. O reinado da poderosa estava ameaçado. E ela não estava preparada para isso. 

Vale lembrar que a Xuxa não foi a única a reinar no planeta infantil. Esse universo teve um reinado paralelo, de  uma outra Rainha chamada Eliana, menor - em estatura e poder - mas não menos relevante. Todas a manhãs a rainha menor concorria diretamente com a Senhora do Universo Infantil, com êxito igual. E essa rainha também sofreu da mesma dificuldade da Soberana: seu público cresceu e a abandonou. O que a Rainha Eliana fez? Levantou-se do trono e foi atrás de seus ex-súditos. Viu o que eles estavam fazendo, estudou-os e os seguiu. Hoje ela continua reinando sozinha nas tardes de domingo da TV aberta, agora para os adultos, praticamente os mesmos que aprenderam com ela os nomes dos dedos na infância. 

Ao contrário de sua concorrente, Xuxa continuou sentada no Trono, esperando que novos súditos viessem. Mas eles não vieram. Ela não saiu do trono. Perdeu súditos, espaço na TV e influência. Seu reinado veio abaixo. Seu trono foi retirado. e agora corre o risco de perder seu território cativo na Globo, e ter de se sujeitar a um espacinho na Record, o porão para onde vão os inúteis globais.

Xuxa não soube se reinventar. Achou que seria sempre Rainha de alguma coisa. Ela não aprendeu uma das mais preciosas lições da TV: o público muda e o conteúdo precisa mudar. O que fez sucesso há anos não necessariamente vai fazer sucesso agora - tá, o SBT é uma exceção. Só aprendeu a se comunicar com crianças dos anos 80. As crianças dos anos 80 agora fazem outras crianças. E ela estacionou. Por isso perdeu espaço na TV. 

Xuxa hoje é apenas uma rainha sem reino, que vive atrás de alguém que a queira seguir.


#Opinião O ano de Bruna Marquezine


2014 definitivamente foi o ano dela. O ano em que assistimos uma doce criança se transformar na mulher mais sexy do mundo. O ano em que a pequena e chorosa Salete  ficou nua na TV e surpreendeu ao engatar um romance com o jogador mais falado do Brasil, e um dos mais acompanhados do mundo, o que a tornou quase uma "primeira-dama" do esporte. Nesse mesmo ano ela decidiu descer do pedestal do esporte e terminou o namoro. E voltou, E terminou de novo. Instável como qualquer menina de 19 anos. 

É isso que encanta em Bruna Reis Maia, a Bruna Marquezine. Ela é autêntica como qualquer garota de sua idade. Fala sem pensar, quer se expor, gosta da beleza. A diferença é que toda essa humanidade e pós-adolescência é acompanhada por um país inteiro ávido de espetáculos e uma mídia que precisa de fatos para vender ao público. Com isso todos os passos da garota foram acompanhados. A vimos crescer na TV. Ela ficou nua diante de um tiozão que disse estar "suado" de tão constrangido. foi eleita por marmanjos de todo o Brasil como a "mulher mais sexy do mundo". Claro, um título muito pretensioso quando lembramos que apenas brasileiros votam nesse concurso, mas ela reagiu com naturalidade: sou sexy como qualquer menina de 19 anos". Sim, realmente toda menina de 19 anos e sexy, mesmo não tendo todo o dinheiro e a glamurização dela. Mas ela é diferente porque ela reage à essa sensualidade com indiferença. Nem liga se a chamam de gostosa. E ela é. Só quer aproveitar o bom momento. 

Se continuar assim, ainda teremos muito o que acompanhar dessa garota. Não porque ela produza fatos para estar em evidência na mídia, mas exatamente porque ela não faz nada para chamar a atenção. Não convoca paparazzis para fingir que "foi clicada em shopping". Ela é natural. E isso a faz sexy. Não sei se a mais do mundo (fica dificil concorrer com Kate Upton e outras), mas uma garota incrivelmente linda, daquelas que todo homem gostaria de ter. 

Outras garotas poderiam aprender com ela. Não o sotaque carioca carregado nem as roupas minúsculas que ela usa nas novelas (se quiserem usar fiquem à vontade, a opção é de vocês). Aprendam com ela como ser natural. Como trazer à atenção de todos fazendo exatamente o oposto disso. Como não se importar com a opinião dos outros. Como ser você mesma e ponto. 

Bruna Marquezine, 2014 foi seu ano! 

#Opinião Desinformados, despolitizados ou mal informados.



Ano de eleição é sempre assim: PT e PSDB se digladiam e disputam quem gosta mais ou menos de pobre, quem trabalhou mais ou menos pelos "menos favorecidos", quem é o candidato dos ricos e dos bancos, quem teve a origem mais humilde, quem é o mais religioso e por aí vai. Independente de quem seja o candidato, a estratégia sempre vai ser essa. 

A briga da vez tem raiz numa entrevista dada pelo ex-presidente FHC aos blogueiros Josias de Souza e Mário Magalhães onde, entre vários outros trechos bastante interessantes e lúcidos,  o presidente conclui que "o PT cresceu nos grotões porque tem os votos dos menos informados". Pronto, o circo estava armado para o petismo iniciar sua série de ataques de baixíssimo nível, associando - como sempre - o ex-presidente e o PSDB aos "ricos". Como sempre fazem, tiraram uma frase de seu contexto para atacar e criar novamente uma briga ridícula que não leva a lugar nenhum - alguns petistas já organizaram inclusive o "churrascão da gente desinformada"... tsc tsc. 

Acontece que FHC tem razão. Pelo menos em partes. O PT sabe que dialogar com pessoas esclarecidas é, sempre foi e sempre será uma pedra no sapato do partido. É difícil a um petista clássico explicar os rumos do partido a uma pessoa politizada, envolvida com assuntos políticos e informada sobre os bastidores do Governo. Mais difícil ainda é confrontar o momento atual do partido com sua história. 

O PT prefere, então, buscar votos em lugares com pessoas menos escolarizadas e menos politizadas, onde sabem que sempre será mais fácil convencer com argumentos sentimentais - nós cuidamos dos pobres, nós tiramos não sei quantos milhões da pobreza e por aí vai. 

Acontece que nem sempre uma pessoa com pouca escolaridade é uma pessoa desinformada. E nem sempre uma pessoa escolarizada, com superior e o raio que o parta é uma pessoa informada. Conheço bachareis ignorantes e não alfabetizados de uma lucidez incrível. O problema do brasileiro, na minha modestíssima opinião, não é a falta de informação. É a falta de politização. E é nessas pessoas que o PT finca suas raízes. 

O Brasil é um país completamente despolitizado. O brasileiro não dá a mínima para a política, não sabe sequer como funciona a divisão de poderes no país. Quer uma prova? Saia agora na rua - se não for tarde, claro - e pergunte para o primeiro que você encontrar se ele sabe a diferença entre as atribuições do prefeito e do governador do Estado. Se a pessoa se mostrar receptiva, continue o papo e pergunte se ele sabe o que faz um Senador da República. Se ele continuar receptivo, prossiga perguntando se ele sabe a diferença entre Legislativo, Executivo e Judiciário. Se a conversa render, pergunte a ele a diferença entre governo municipal, estadual e federal. Sim, você irá se decepcionar. 

Somos um povo que vota sem saber qual será a função do votado. Aliás, votamos e no dia seguinte sequer lembramos o nome de quem recebeu nosso voto. Temos muito o que reclamar, mas não sabemos a quem, e vivemos de reclamar pelas ruas e bairros, sem sermos ouvidos, porque não sabemos qual esfera devemos procurar, exatamente porque não sabemos essa diferença entre as esferas do poder - os protestos do ano passado deixaram isso muito claro, quando víamos pessoas reclamando com o Governador do Estado a má qualidade do transporte público municipal. Não sabemos o nome do vice-qualquer coisa, não sabemos quem são os suplentes dos que votamos e nem se a pessoa em quem votamos ficou no mandato até o final, se se manteve no mesmo partido. Aliás, partidos políticos são outra prova da nossa despolitização. Temos no Brasil hoje 31 partidos políticos. Se a mesma pessoa com quem você estiver conversando ainda não tiver te colocado pra correr, pergunte a ela de quantos partidos políticos ela lembra o nome. Aposto qualquer coisa que ela irá te dizer PT, talvez PSDB e numa possibilidade remota o PMDB. Mais do que isso é praticamente impossível! 

Sim, é nesses despolitizados que o PT encontra terremo fértil pra fincar suas raízes, pois são pessoas que sequer sabem a que o fulano está concorrendo, mas desde que seja do PT merece o voto. E digo mais: é do interesse do PT que o Brasil continue despolitizado assim, do contrário os paulistas saberiam que sua senadora Marta Suplicy deixou o cargo para assumir o Ministério da Cultura e colocou em seu lugar um poste chamado Antônio Carlos Rodrigues, candidato a tudo em SP que vive de se eleger e colocar suplentes em seu lugar, e que está no Senado sem receber um único voto. E esse é apenas UM dos vários exemplos que teríamos para dar.

Então discordo em partes de FHC. Concordo que o PT foge do debate ao máximo possível, mas não para se abrigar apenas entre os desinformados, mas principalmente entre os que, como Eduardo Jorge, pensam que "não tem nada a ver com isso".

#Análise: Se Aécio quer mudança, comece pelo marketeiro



Apesar de não exercer a profissão, sou formado em Publicidade e Propaganda. E dentro da Publicidade uma das áreas que mais me chamam a atenção é o marketing (não, publicidade e marketing não são a mesma coisa). E dentro do marketing em si, o marketing político é um dos que mais me chamam a atenção. Sim, sou dos que guardam jingles e materiais de campanha de candidatos, para comparar com outras eleições. Gosto de analisar as estratégias usadas pelos candidatos para se fazerem conhecidos, ou para reforçarem sua imagem. 

A candidatura petista, seja quem for o candidato, tem como foco criar um certo terror e lançar o medo sobre o eleitor. Principalmente o medo de perder benefícios sociais. Assim foi em 2006 quando o Lulla disputou contra Geraldo Alckmin, assim foi em 2010 quando a Dillma disputou contra Jose Serra, e assim está sendo agora contra Marina Silva. Frequentemente se vê - e verá - coisas como "fulano vai acabar com o Bolsa-Família", "fulano é contra o trabalhador", e outras mentiras típicas de um partido que morre de medo de perder o poder. 

O PSDB não vai bem das pernas no quesito marketing eleitoral desde que perdeu o poder federal em 2002. Nunca mais se viu uma campanha bem sucedida do PSDB, independente de sair vitoriosa ou não. O PSDB parece ter uma dificuldade colossal de se comunicar com o brasileiro e anunciar o que fez. E o pior: o PSDB não aprende com os próprios erros. Nem com os dos outros. E além de não aprender com os próprios erros, agora parece que resolveram testar novos erros, para ver o quão fundo conseguem chegar numa disputa eleitoral. 

É o que tem feito o atual candidato à presidência, Aécio Neves, que alardeia aos quatro cantos ser a "mudança segura" que o Brasil precisa. Até aí tudo bem, porque essa é a missão dele: se vender como melhor que os outros. Mas o desespero bateu à porta quando viu sua candidatura naufragar na "onda Marina" que tomou o Brasil nos últimos meses. Com o desespero tomando conta de sua equipe, o foco da campanha parece ter se perdido completamente. O que antes era uma campanha que propunha mudança, renovação e propostas sólidas, a candidatura de Aécio virou um canhão apontado ao PSB, disparando ataques infundados o tempo inteiro contra Marina Silva, que nunca teve qualquer ligação com o PSDB nem com Aécio. 

Uma dica importantíssima de marketing para quem deseja alcançar postos mais elevados em rankings, seja qual for, é: vá pra cima de quem está ganhando, nunca de quem é a segunda opção. Se você quer criar uma marca de refrigerantes poderosa, mire seu marketing na Coca-Cola. Uma nova emissora de TV não teria qualquer sucesso mirando seu alvo no SBT (foi o que fez a Record chegar à vice-liderança: mirou diretamente a Globo). Quando disputou a prefeitura de SP em 2008, Gilberto Kassab, então no DEM, começou num mísero quarto lugar. Sua estratégia foi mirar na candidata que liderava as pesquisas com folga, a ex-prefeita Marta Suplicy, e o resultado foi uma vitória com larga vantagem. Focar em quem não é líder não te fará liderar. 

E é exatamente o erro que a campanha de Aécio Neves vem fazendo. Sua concorrente direta sempre foi a candidata do medo Dillma do PT, em quem ele mirou seu discurso e seus "ataques". Ao ser atravessado pela onda Marina, Aécio mudou de foco e passou a a atacar a ex-senadora. Sua estratégia deu certo: conseguiu tirar votos da sucessora de Eduardo Campos. Mas os votos que ela perdeu não vieram para Aécio, e sim para Dilma. Sim, quem deixa de escolher a segunda opção vai para a primeira, sempre a mais segura. Ninguém abandona o segundo para aderir o terceiro. É uma regla simples de marketing, que qualquer artigo sobre marketing de posicionamento poderia dizer. 

Mudar o foco para atingir a Marina é, no mínimo, um erro grosseiro que a campanha de Aécio Neves vem cometendo. Além de não se beneficiar em nada, o PSDB vem contribuindo para o quarto mandato petista. Além de sequer chegar ao segundo turno, Aécio é, sem perceber, um cabo eleitoral de peso da Dilma. 

Aécio, meu amigo:se você realmente defende as mudanças que diz defender, aconselharia a começar essas mudanças pelo marketeiro de sua campanha. 

#Opinião Lola Benvenutti, com todo o prazer



Não, essa não é uma entrevista com a Lola Benvenutti. Nem é qualquer campanha para divulgar o livro que ela acabou de lançar. Ela nem sabe que esse post está sendo publicado, e é provável que nem fique sabendo. Apenas resolvi escrever sobre ela, principalmente porque a admiro. 

Sim, a admiro por ser bonita. Isso é inegável. A foto acima, retirada do ensaio que ela fez para o Paparazzo, prova isso. Ela tem todos os atributos de um mulherão, o retrato perfeito do sonho de consumo do imaginário masculino, e mais alguns detalhes que me chamam a atenção, particularmente, numa mulher: rosto de menina, jeito doce e delicado e corpo de mulher, com seios fartos e bunda bem definida, mas sem fazer o estilo "panicat", dessas malhadas demais que parecem estar infladas a ponto de explodir a qualquer momento. Ela tem as medidas perfeitas. Não é baixinha - apesar que me sinto atraído por baixinhas... rs - mas não é muito alta. Resumindo: esteticamente, Lola Benvenutti é uma mulher perfeita. 

Para uma garota de programa - sim, para os que não a conhecem: ela é uma garota de programa, ainda nem tinha falado isso - os atributos que resumi acima seriam suficientes para garantir uma clientela fixa e satisfeita com os resultados. Ela poderia se dar por satisfeita em ser apenas gostosa. Mas ela foi além. Formou-se em Letras pela Universidade Federal de São Carlos. E não é só isso. Ela é, sim, inteligente. Fala muito bem. Se expressa muito bem sobre qualquer assunto. E mais: é segura de si e sabe o que quer. Não entrou para a prostituição escondida para pagar a faculdade. Entrou para a faculdade já como garota de programa. Divulgava seu serviço na faculdade, e por isso sofre muito preconceito. Riscaram seu carro, seus professores a ridicularizavam e perdeu o apoio dos pais, de que só veio recuperar a amizade há pouco tempo. Por que tudo isso? "Gosto da minha profissão, não quero me aposentar nunca", diz ela. 

Parece loucura embarcar numa confusão dessas para permanecer como garota de programa? Para ela, não. Se ela gosta, se se sente bem com isso, não faz mal a ninguém, qual o mal? O grande problema da nossa sociedade é querermos tabelar o comportamento humano a um único padrão, como se apenas profissões A ou B fossem dignas de respeito. É digno de respeito toda pessoa que faz o que quer e se dedica a fazer o melhor. 

Por isso Lola Benvenutti tem todo meu respeito. 

#Opinião Sobre o Templo de Salomão


O assunto do momento no Brasil é a inauguração do Templo de Salomão, em São Paulo. Construída pelo Edir Macedo, líder da Igreja Universal, o templo é o maior do Brasil, superando a Catedral de Aparecida, e custou cerca de R$ 680 milhões e quatro anos para ser construída. A obra tem ares de grandeza: 35 mil metros quadrados, o equivalente a 5 campos de futebol; 40 mil metros quadrados de pedras usadas na construção vieram de Hebrom, Israel; 12 oliveiras que adornam o entorno do templo vieram do Uruguai, para reproduzir o Monte das Oliveiras; há no templo 60 apartamentos para os pastores que estiverem "em serviço", além de um mausoleu construído especialmente para Edir Macedo. Sim, é uma construção faraônica, que nem uma cidade acostumada com grandes empreendimentos como São Paulo ainda não tinha visto. 

No meio disso tudo, claro que o templo virou assunto em todo tipo de roda de conversa desse país. Evangélicos apoiam, evangélicos criticam, a mídia explora, políticos tentam colar sua imagem para ganhar votos. Mas quem vem marcando presença nos debates, como em toda ocasião em que seja possível manifestar opinião? Eles, os revolucionários de sofá, os que entendem de tudo, que conhecem tudo e opinam em tudo. Opinam sobre política, meio ambiente, economia, tensão no Oriente Médio, família, sociedade, e agora sobre religião. O discurso é sempre o mesmo, apenas adaptado a cada tema, mas dessa vez incluíram uma nova frase pronta no "debate": a citação bíblica de Atos 17:24, que diz que "deus não habita em templos feitos por mãos humanas" para dar coro ao seu discurso batido: com esse dinheiro dava pra ter feito hospitais, creches, asilos, mamadeiras, ajudado os africanos, e por aí vai. 

É curioso ver gente que não tem qualquer compromisso com nenhuma religião, que nunca se ligou em nada relacionado ao universo religioso nem a qualquer coisa relacionada com o Cristianismo, que toma Actívia e Jonny Walker pra história de Jesus, agora usar trechos bíblicos para dizer onde deus habita ou não. Gente que esbraveja não só contra o tal Templo, mas contra quem frequenta o local. Membros da Universal vem sendo chamados de "idiotas", "manipulados", "alienados", sem contar um vídeo de um suposto "humorista", desses que sempre tem opinião para dar em tudo, dizendo que quem frequenta a Universal geralmente são pessoas "pobres, que não tem o que comer". Isso é, no mínimo, preconceituoso.  

Sim, o tal Templo de Salomão marca uma fase nova e intrigante da Igreja Universal, que tenta despontar como uma "grife" num mercado religioso carimbado pelo neopentecostalismo cheio de salões e galpões capengas, que nem deveriam estar em pé, sendo usados como templos para abarcar as multidões que vão em busca de uma cura de alguma dor na perna ou de algum suposto tumor. Com o Templo de Salomão a Universal tenta sair do curandeirismo barato e se firmar com um espaço de auto-ajuda, onde pessoas possam se sentir bem consigo mesmas e, de quebra, ainda conseguir comunhão com um deus que tem cada vez mais rostos diferentes. Saindo do significado teórico do templo e vindo para o prático, a Igreja tem muito a explicar à cidade de São Paulo: ergueu-se um mastodonte  da arquitetura paulistana com um alvará de reforma, o que desobriga o empreendimento da contribuição da taxa de 5% do custo total, cobrada de novas obras em São Paulo para melhorias do entorno: calçadas, sinalização, vias, etc. Além disso, o "templo" não tem alvará dos Bombeiros para funcionamento, e é exatamente isso que levou o MP de São Paulo a pedir o fechamento do templo. Já pensou uma bagaça daquele tamanho fechar por causa de um alvará?

Algumas pessoas me pediram pra escrever sobre o tal templo. Não tenho muito o que opinar, já que não é minha religião, não tenho nada a ver com a Igreja Universal nem nunca tive. Sim, acho um desperdício se levantar um templo desse tamanho, com a ostentação que foi feita - nem os funkeiros paulistanos pensaram em tanta ostentação num lugar só, mas até aí a Catedral de Aparecida também é um templo enorme que foi erguido com doações de fieis. A Catedral de Westminster também é um templo gigante que foi erguido com doações de fieis. O Vaticano também é um espaço enorme construído com dinheiro de fieis. E aí, por que só o templo da Universal causa burburinho? Se tinha necessidade um templo desse tamanho? Penso que não, mas a igreja entendeu que o deus adorado por eles merece algo do tipo. Se o templo é produto do desejo de ostentação de um líder isso não é problema meu. Não tem dinheiro meu lá. Não tenho o direito de criticar quem contribuiu ou quem frequenta. Vou além:  quem sou eu pra criticar os que frequentam a Universal? Se te faz bem, te faz uma pessoa melhor, vá sim. Sua família comenta que você virou uma pessoa melhor depois de frequentar essa igreja? Mergulhe fundo nessa religião. 

Faz o que te faz bem. E cada um com sua vida. Só isso. 

#Opinião Por que só na Copa?


Contrariando todas as expectativas, a Copa do Mundo no Brasil foi um sucesso - apesar de não termos o prometido trem-bala da Dilma, mas que não fez a menor falta. Estádios completamente prontos a tempo, por mais que falaram que não ficariam. Aeroportos funcionaram perfeitamente, transporte público à disposição, hospedagens dentro do esperado, serviços de turismo funcionando perfeitamente, estádios impecáveis, organização sem igual, o que fez com que vários frequentadores dissessem: foi uma das melhores Copas do mundo. O técnico holandês Van Gaal foi direto: a organização foi impecável, em todos os detalhes. A infraestrutura em torno dos estádios não ficou pronta a tempo, é verdade, mas nem deu pra perceber. O básico para a realização da Copa funcionou. Até mesmo o presidente da Fifa Joseph Blatter disse que essa foi a melhor copa em que ele já esteve. Tudo que dependeu do serviço público e do Governo funcionou perfeitamente, e fizemos bonito para o mundo. 

Nem parece que estamos falando do Brasil, né?

Por aqui estamos acostumados ao serviço público "mal e porcamente" feito. Serviços públicos de ducentésima categoria, servidores públicos mal humorados que parecem trabalhar amarrados a bolas de ferro apesar dos bons salários e a estabilidade que têm, hospitais que mais parecem matadouros, transporte público que parece carregamento de gado, escolas que parecem currais, burocracia burra para todo lado que se olha, políticos analfabetos com a responsabilidade de conduzir os rumos do país. No Brasil, tudo que é feito pelo poder público já vem com o carimbo de "mal feito". Todo brasileiro sabe disso. Para ser um pouco sensacionalista, poderia dizer que o serviço público no Brasil é um "lixo", salvo raríssimas exceções. Por isso compramos carro mesmo pagando pelo transporte público. Por isso contratamos convênios médicos mesmo pagando pela saúde pública. Por isso matriculamos nossos filhos em escolas particulares mesmo pagando pela manutenção das escolas públicas. No Brasil nos acostumamos a pagar duas vezes para ter um mínimo de conforto: pagamos a nossa obrigação para a manutenção do que é público, mas pagamos também "por fora", pois o público, que nós pagamos, não funciona como deveria funcionar, apesar de pagarmos por isso. What? 

Por que a competência e a organização que vimos na Copa do Mundo não funciona para o resto das coisas? 

A Copa do Mundo é a prova de que o serviço público podem sim ser de primeira qualidade. Quando há vontade política, gente competente no comando e parte da iniciativa privada trabalhando junto as coisas podem ser sim bem feitas. Nos países que consideramos "primeiro mundo", e que invejamos sempre, funciona assim. E por isso invejamos os países de primeiro mundo. Quem não tem vontade de ter um transporte público igual ao da Alemanha, que apesar de ser o país das principais montadoras de veículos, tem metrô à vontade e linhas de ônibus inteligentes que convergem e servem ao país inteiro? Quem não tem vontade de ter a educação pública da Suíça, que lidera qualquer ranking em níveis escolares? Por que isso não acontece sempre no Brasil? Falta de dinheiro? E o dinheiro investido na Copa veio de onde? Não veio dos mesmos bolsos que pagam por hospitais sem maca, ônibus destruídos e servidores públicos mal humorados? Por que não dar um "padrão Fifa" ao que temos aqui no nosso dia a dia? Por que não dar ao serviço público brasileiro o mesmo tratamento recebido pela Copa do Mundo? 

Dá sim, pra fazer bem feito. Há dinheiro e gente competente. Basta querer!

Protestar é um direito. Xingar, não



A Copa do mundo é o assunto do momento, não tem jeito. Para os que gostam de futebol, o assunto são os jogos, o desempenho das seleções e etc. Pra quem não gosta, o assunto são as vaias que a Presidente Dilma tem recebido em vários jogos, mesmo ausente em todos eles, vaias essas que tem tomado proporções maiores que o esperado. Pessoas gritam ofensas à presidente, que tem reagido com o famoso "nós X eles", jogando a culpa numa classe média que o partido dela se gaba há 12 anos de ter ajudado a aumentar.

Quem lê o blog já sabe da minha posição sobre o atual governo e tudo o que o envolve. Muitos perguntaram no Facebook minha opinião sobre as vaias. Pra quem acha que eu engrosso o coro dos que mandam a Dilma ir tomar no c*, desculpe desapontá-los!

Tenho lido ultimamente bastante sobre o pensamento conservador, posições de vários conservadores ao redor do mundo e sua influência na política e na sociedade (sim, me identifico com o conservadorismo, e antes de jogar pedras, entenda a diferença entre ser conservador e reacionário. Não sabe qual é? Procure saber e não fale bobagem). E um dos pilares do pensamento conservador é o respeito às instituições. Uma sociedade que não luta para manter suas Instituições estabelecidas caminha pra a barbárie. Defendo a Polícia (o que não significa que apoio os atos truculentos de alguns policiais), os Bombeiros e outras. Todos dependemos de uma ou mais instituições, e o respeito a elas é o mínimo que se pode exigir. 

Dona Dilma Rousseff é a presidente do Brasil. Ela é uma instituição estabelecida. Pelo menos até 31 de dezembro desse ano - e prometo torcer e trabalhar para que não passe dessa data - ela é a presidente. Mal e porcamente, mas é. Não tomou o poder de ninguém para chegar ao poder. Ela foi eleita democraticamente. E como presidente, eleita pelo voto popular, ela merece respeito. Mandar a presidente do país ir "tomar no c*" é achincalhar uma instituição importante para o país. Além do que, gritar xingamentos contra a presidente vai resolver o que? Vai fazê-la mudar de opinião, rever sua forma de trabalhar? Não, e ela já tem demonstrado isso. Então não seria o caso de rever a forma de se protestar?

Ela não corresponde ao cargo, não atua conforme se espera de um presidente? Age de forma duvidosa diante de situações complicadas? Ajuda a alimentar o fisiologismo que se espalhou como câncer no sistema político brasileiro? Temos sim, o direito e o dever de protestar, de cobrar, de questionar, de querer saber como ela age, como pensa e o que pretende. Mas cobrar é uma coisa, faltar com o respeito é outra. 

Falta educação no país? Sim, falta, mas termos uma educação de má qualidade é uma coisa, ser mal educado é outra. O que se viu na abertura da Copa e em outros jogos foi um desrespeito à uma chefe de Estado, a chefe de Estado do país onde nasci e onde moro, e onde provavelmente irei passar boa parte da minha vida - se não o resto dela. Não sou petista, nunca fui e se o PT continuar como vai nunca serei. Nunca votei no PT, não voto e não pretendo votar. Sou sim oposição ao PT em quase tudo o que o partido diz e acredita, mas ser oposição não me torna um bronco que se sente no direito de gritar xingamentos gratuitos sem qualquer fundamento. E aqui pego gancho para o texto que escrevi semana passada: até entenderia esses gritos num evento interno, numa inauguração de obra inacabada - a especialidade do PT - ou num discurso cheio de palavras desconexas e vazias como a Dilma adora fazer, mas pra que gritar ofensas contra a presidente na abertura de uma Copa do Mundo, com mais de 3 bilhões de pessoas nos acompanhando? Pra que expor ao mundo problemas que são nossos? 

Já disse outras vezes e repito: o melhor lugar de protestar é na urna. Não está contente com o trabalho da presidente? Não a reeleja. É simples. A ignore nas urnas nesse ano. Tem mais candidatos - não muito melhores, mas enfim - para se escolher. Protestar é um direito. Faltar com o respeito é coisa de mal educado, e educação vem de casa. 

Mais amor - e respeito - por favor! 

O problema é nosso, não do mundo



Imagine que você está com problemas em casa. Seu casamento está por um fio. Todo dia é uma briga diferente, pelos motivos mais banais possíveis. Os diálogos se resumem a avisos simples como "o café tá pronto" e coisas do tipo. A relação já não se sustenta mais. Mas vocês ainda não se separaram. Continuam morando na mesma casa. E num dia vocês recebem uma visita. Um amigo dos dois resolve almoçar com vocês. Mas a relação do casal está péssima. Como se comportar na frente do amigo?

Vocês resolvem, de comum acordo, fingir que está tudo bem. O amigo não tem nada a ver com a situação atual de vocês nem tem qualquer culpa de o casamento não estar dando certo. Recebem bem o amigo, mantem um clima de cordialidade, ou pelo menos um clima agradável em casa, e o amigo sai satisfeito por ter sido bem recebido. Só depois que o amigo vai embora é que vocês continuam a "discutir a relação".

Mas o casal poderia ter escolhido outra opção. Aproveitar a presença do amigo em casa para lavar a roupa suja e mostrar ao amigo como "meu marido não é o santo que todos imaginam" ou que "minha mulher é uma esposa horrível, e meu amigo precisa saber disso". Quebram pratos e jogam ofensas um contra o outro. Com o amigo a mesa, expõem todos os problemas e dilemas do casal, brigam e mostram ao amigo que o casamento deles está horrível.

A segunda opção parece simplesmente descabida, não é? Por que então o Brasil escolheu a segunda opção para a Copa do Mundo?

Somos um país com problemas enormes. Temos desigualdades crueis e somos o maior pagador de impostos do mundo, apesar de sermos o país que menos dá retorno dos impostos pagos. Nossa inflação vem crescendo, somos ainda um país com níveis de desenvolvimento pífios, governado por uma equipe de incompetentes, e nossa relação com nossa classe política brasileira está pior do que qualquer casamento à beira do divórcio.

Isso é fato, e estou confiante de que as urnas mostrarão isso, mas o que os japoneses, os croatas ou os alemães que vem ao Brasil para assistir aos jogos da Copa do Mundo tem a ver com isso? Eles não sabem qual a nossa realidade, não tem qualquer culpa se não temos leitos em hospitais. Pra que jogar na cara de quem não tem nada com o peixe nossos problemas internos? Pra que agredir jornalista da CNN ou vaiar a presidente enquanto o mundo inteiro está nos vendo? Se temos problemas em casa, as visitas não precisam saber. Além de ficar muito, muito feio para o nosso povo, expor ao planeta nossos problemas não vai resolver nenhum deles. Só vai piorar nossa imagem lá fora.

Então vamos combinar o seguinte? Vamos receber bem quem está vindo ao Brasil, exercer nossa hospitalidade que dizemos ter e mostrar ao mundo que não somos os índios canibais que eles pensam que somos, e depois que passar a Copa resolvemos nossos problemas internos, que acham? Ou nem precisa esperar a Copa passar, pois a vida segue pra todo mundo nesses trinta dias de jogos, mas não precisa lavar a roupa suja no estádio, né? Vamos receber bem as visitas, por favor?

É o mínimo que podemos fazer se queremos ser vistos pelo mundo como pessoas civilizadas. Sou sim a favor de protestar, de se fazer ser ouvido, e temos motivos de sobra pra querer isso, mas buscar direitos é uma coisa, fazer papel de selvagem é outra. Cobrar é uma coisa, causar tumulto é outra. É bom definir essas diferenças.

É isso! 

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