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Blog Novas Ideias

Quem disse que só tem um jeito?

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Quem disse que só tem um jeito?

Conheça "Haft Sang", a versão iraniana de "Modern Family"



Sim, é isso mesmo que você leu! A IRIB (Islamic Republic of Iran Broadcasting), emissora de TV iraniana, fez um remake próprio não autorizado da maior série americana de comédia do momento: Modern Family. 

Haft Sang - Sete Pedras -  retrata quase que literalmente cada episódio da primeira temporada da série americana, inclusive com frames e tomadas de câmera. Exceto por detalhes importantes: na versão iraniana o casal gay da série Cam e Mitchel foi cortado e substituído por um casal hétero. Além disso a filha mais velha dos Dunphy, Haley, foi substituída por um rapaz, Amir, e a personagem de Sofia Vergara foi substituída por outra menos, bom, menos sensual. 

Assisti o primeiro episódio da primeira temporada da versão iraniana e, mesmo sem entender uma letra dos diálogos, é possível entender as cenas, de tão fieis que são à versão original americana, que já assisti. Além disso, é inegável que a intenção da emissora é exatamente criar a polêmica em cima de sua versão para mostrar ao mundo que o Irã também sabe fazer TV de qualidade. Guardadas as devidas proporções, a série é muito bem feita, com tomadas perfeitas, cenários completos e atores bem familiarizados com seus personagens. Atores, aliás, que percebe-se não serem "novatos", pois mostram técnicas de interpretação dignas de profissionais. Percebe-se também que houve todo um trabalho para adaptar a trama à realidade iraniana - assim como determina a Lei Islâmica no país, todas as personagens femininas da série cobrem a cabeça com lenço - mas mostrando que, diferente de seus vizinhos também islâmicos mas muito mais radicais, o Irã é um país que, a seu modo, tenta dar aberturas a uma modernidade próxima à do Ocidente. 

Fiquei sabendo desse remake essa semana pelo rádio, na Hora de Expediente da CBN, e lá o jornalista Luiz Gustavo Medina fez um comentário bastante interessante: seria bom se cada país fizesse sua versão de Modern Family. A série é, talvez, o retrato mais perfeito da família americana, com seus dramas, seus exageros e suas "esquisitices", e adaptações em outros países mostrariam suas versões para a série. Quem sabe no Brasil não teríamos umas 5 ou 6 Sofias Vergaras e um casal gay que não beija... rs

Veja o primeiro episódio de Haft Sang:


O fim do 'SNL Brasil": o programa certo na emissora errada



Por Luiz Fernando Aleixo, convidado do Blog Novas Ideias

Como todos, ou boa parte de vocês, devem ter lido, a Rede TV anunciou hoje o fim da versão brasileira do maior programa de humor da TV americana, o Saturday Night Live. Anunciado na época da mudança do Pânico para a Band, a Rede TV dizia apostar todas as fichas e dinheiro (dinheiro esse que nem se sabe se existe, mesmo) para dar ao programa americano uma cara brasileira e fazer dele um sucesso, tal qual no seu país de origem. Mas o que se viu foi totalmente o oposto.

Como o programa seria o substituto e novo concorrente do tal programa de Emilio Surita, a Rede TV optou  por exibir o SNL aos domingos à noite. Mas o dia escolhido esbarrou logo no nome do programa: 'saturday' exibido aos domingos? Outro problema foi a decisão de fazer vários esquetes gravados, o que esbarrou novamente no nome do programa: 'live', mas gravado? Só faltaram exibir o programa à tarde. 

Pra completar o programa estava a anos-luz do original americano. O humorista e inicialmente diretor do programa Rafinha Bastos afugentou convidados, que temiam serem expostos a piadas fortes num programa ao vivo. Além disso, as maioria das esquetes do programa era lamentável. Se por um lado o elenco até era bom, apesar de pequeno para um programa do porte do SNL, por outro o redator parecia usar a cartilha de Ari Toledo para escrever o roteiro do programa. O resultado era bons atores (Renata Gaspar é a melhor!!!) que se esforçavam ao máximo para dar graça a esquetes totalmente bobas. E completando o cenário temos a total falta de profissionalismo da Rede TV, que já parece ser padrão na emissora, o que faz com que tudo que essa emissora produza exiba um amadorismo assustador. Pior que o SBT!

Claro, nem tudo no SNL Brasil era ruim! Em meio a esquetes fracas era possível encontrar alguma coisa boa, como o Homem Bomba, a Suzana Bipolar e a maravilhosa interpretação da Renata Gaspar para a Carminha de Avenida Brasil.   

Desde o começo o programa dava sinais de que não iria muito longe. Principalmente depois da saída de Rafinha Bastos, o que deixou claro que o programa havia perdido completamente o pouco rumo que tinha no início. A Rede TV já havia cortado os poucos esquetes ao vivo, a banda característica do programa e os convidados, que já eram ruins - por favor, Sônia Abrão no SNL?

É uma pena ver um produto valioso, com um peso televisivo tão grande como o SNL, que já lançou grandes humoristas nos EUA, ser tão mau usado por uma emissora que parece contar os dias para fechar as portas, administrada por uma dupla que nunca deveria ter se aventurado a administrar uma TV. A Rede TV teve ouro nas mãos, mas não soube garimpar. O SNL era um programa bom, com um elenco razoável, mas com a direção errada, na emissora errada. 

Tomara que alguma outra emissora tente exibir novamente o SNL, agora com a competência que o programa exige. Que não seja a Record, que nao seja a Record...

Uma das coisas boas feitas pelo SNL Brasil foi o clipe "Vai Rolar no Ministério". Simplesmente sensacional!




Luiz Fernando Aleixo é paulistano e estudante de Rádio e TV, além de ser formado em jornalismo pela Anhembi-Morumbi. 

Marly Marley: uma parte da história da TV brasileira

Imagine dois grandes nomes da TV brasileira juntos: Fernando Faro e Marly Marley. Sim, eles estiveram juntos no programa de Fernando na TV Cultura, Mobile. A entrevista com Marly Marley é simplesmente imperdível. Quem trabalhou com Vicente Celestino, Mazaroppi, Laís Bodansky, Dercy Gonçalves e José Vasconcelos, como ela, tem muita coisa boa pra contar!




É uma pena o Brasil não dar valor à sua própria história. Taí uma mulher que merecia um filme sobre a vida e carreira. Ela e tantos outros grandes nomes da cultura popular - Vicente Celestino, por exemplo - que passam despercebidos, enquanto idolatramos produtos de uma indústria cultural vazia, pré-fabricada pelas rádios que encomendam pseudo-sucessos apenas para faturar com publicidade.

A hipocrisia "anti-globista" brasileira toma proporções assustadoras



@wesleytalaveira Diz uma grande amiga minha que hoje mora no exterior: o brasileiro é, se não o mais, um dos povos mais hipócritas do mundo. Condenamos e aprovamos de acordo não com o que acreditamos, mas com nossa conveniência. Apoiamos até o momento em que algo está de acordo com minha opinião, e a partir do momento em que algo está fora da minha visão de mundo, aquilo passa a ser horrível e condenável.

Essa hipocrisia atinge até os lugares mais absurdos, como a forma como o brasileiro vê TV. Sim, há pessoas que assumem uma briga que não é delas e tomam partido a favor de emissora A ou B. No caso a emissora "G", a Rede Globo. Todos os dias uma multidão de pessoas se organizam para criticar a programação da Globo, chamá-la de "alienadora", "manipuladora", "PIG" e etc - aliás, esse tal PIG que os pseudo-esquerdistas criaram é no mínimo hilário. Gente que ainda não descobriu a utilidade do controle remoto critica a programação da Globo, ofende artistas, jornalistas e qualquer pessoa que tenha qualquer ligação com a Rede Globo. Esse texto meu com certeza será muito criticado pelo simples motivo de eu não fazer coro com os críticos, que adoram a Record como "grande libertadora dos meios de comunicação", ignorando o fato de que cerca de 70% dos profissionais da Record vieram da Globo, e alguns já diseram que voltariam no primeiro convite que a Globo fizesse.

Pois bem, essa hipocrisia "anti-globista" vem tomando proporções assustadoras. Por várias vezes vemos pessoas invadindo transmissões ao vivo dos telejornais da Globo para rugir palavras de ódio. Hoje aconteceu algo ainda pior: durante a cobertura do tratamento do ex-presidente Lula no Sírio Libanês a repórter Monalisa Perrone foi atacada por um bando de vândalos violentos que a empurraram gritando qualquer coisa impossível de se entender. A transmissão foi interrompida e depois ela voltou ao ar com a voz embargada, sendo substituída pelo repórter José Roberto Burnier. 

Veja o vídeo:



Qual é o nível de uma pessoa que interrompe o trabalho de um repórter para mostrar ódio contra uma emissora? O que leva uma pessoa a sair de casa num dia frio como hoje em SP e ir até onde a repórter está trabalhando para incitar ódio? Falta do que fazer? Selvageria? Um pouco de cada disso. 

Veja bem: não estou defendendo a Globo nem dizendo que ela é santa. Sei que ela tem o hábito de monopolizar eventos apenas para não disponibilizar para a concorrência, entre outras práticas um tanto duvidosas. Mas quanto à alienação só digo uma coisa: aprenda a usar o controle remoto. Se em determinado canal está passando algo que não gosto de ver, eu mudo de canal. Simples assim. Não preciso sair criticando, ofendendo. Mudo de canal e procuro algo que me interesse. Se nada me interessa eu desligo a TV. É muito difícil?

E mesmo que essa tese da manipulação fosse verdadeira, qual a culpa que o repórter na rua tem disso? O que você acha que irá conseguir mudar na "alienação" globista ao agredir uma repórter na rua? Exceto se mostrar como um tremendo mal educado e deselegante, você não vai conseguir muita coisa. 

Chamamos a Globo de alienadora e etc. Mas os programas dela são líderes de audiência o tempo todo. E quem diz isso não sou eu, é o Painel de Televisão, que já mostrou que a Globo é líder 24 horas por dia. Não gosta da Globo? Não assista! 

Deu pra entender ou quer que desenhe?

Por que reallities show fazem tanto sucesso?



@wesleytalaveira Não tem jeito, os reallties show viraram mania. Mal acaba um já se fala no outro. E isso não é só aqui no Brasil. Gente no mundo todo para o que faz pra ver a vida alheia.

Mas o que esses reallties tem que tanto atraem a atenção do telespectador?

No caso do Big Brother, formato de reallity criado pela empresa holandesa Endemol, há dois conceitos bastante interessantes sobre os quais o reallity se firma: 1) o ser humano é um ser sociável, e quando é privado da convivência em sociedade ele pode ter atitudes completamente desproporcionais à sua personalidade; 2) o ser humano, por natureza, gosta de ver e acompanhar a vida alheia.

Que o ser humano gosta de viver em sociedade não deve ser novidade para ninguém. desde pequenos aprendemos a fazer amigos, a ter colegas em escola, a brincar e dividir brinquedos, crescemos com amigos com quem conversamos, namoramos e casamos. OU seja, toda nossa vida foi construída em cima do conceito de sociedade. Aprendemos que "uma andorinha não faz verão". Portanto uma das experiências mais incríveis de se fazer com o ser humano é privá-lo da convivência em grupo. Somando-se a isso o fato de vivermos numa geração tecnológica, inclua nessa privação uma total ausência de vida on line. Qual o resultado? Impossível prever. O ser humano é um dos animais mais imprevisíveis. Basta tirá-lo daquilo que sua natureza o manda fazer para perder completamente o padrão de comportamento humano.

Ana Madeira
Somado a isso, é fato que o ser humano adora acompanhar a vida alheia. Seja para comparação com a própria vida, seja por pura curiosidade. Saber como vai o casamento do vizinho, ver se a bunda da colega de trabalho é maior que a sua, saber como é o desempenho do namorado da amiga na cama, comparar o carro do vizinho com o seu e por aí vai. É próprio do ser humano. Gostamos de ver a vida dos outros. Uma das grandes sacadas sobre isso foi dita aqui mesmo no Blog Novas Ideias, numa entrevista com a ex-BBB Ana Madeira. Na entrevista ele pergunta para ela o porque do sucesso do BBB, e ela responde com a frase que poderia facilmente ser tema de vários estudos antropológicos: o ser humano é voyeur. Gostamos de vasculhar a vida alheia. Temos tesão em abrir correspondência do vizinho. Saber o quanto ele paga de energia elétrica. É coisa nossa.

Qual é a grande sacada da versão brasileira do Big Brother? A Globo teve a grande ideia de entender que, além de o ser humano ser voyeur, o brasileiro é fofoqueiro. Adoramos comentar a vida do outro. Espalhamos a notícia da nova namorada do amigo da faculdade, observamos o novo corte de cabelo da colega e comentamos no salão. Não é à toa que revistas de celebridade vendem tanto por aqui. É por isso que Nelson Rubens ainda tem emprego. Os Paparazzi nunca foram tão solicitados, e o SBT anda até pagando prêmios em dinheiro pra quem conseguir um flagra de um artista. Isso porque o brasileiro é fofoqueiro por natureza, aceitem isso ou não. Adoramos o fuxico, a conversinha de elevador e de espelho de banheiro.

Somando tudo isso num único programa seria impossível um resultado diferente do sucesso. Sei também que nos últimos anos o programa vem perdendo audiência, mas isso é mais por conta da mesmice do programa do que pelo formato. Enquanto a TV investir em programas que fucem e exponham a vida alheia, a audiência sempre vai corresponder muito bem.

O Sílvio disse não!


@wesleytalaveira Bem que os pseudo-pastores tentaram. Malafaia, Valdemiro e outros ofereceram até o rim pra comprar a madrugada do SBT e veicular lá suas asneiras gospel. Mas o Sìlvio disse não.

A maior oferta veio do líder da Igreja Mundial, o Valdemiro Santiago. Tanto tentou negociar com o pessoal do SBT sem sucesso que passou a tentar diretamente com o dono dos porcos. Marcou almoços, jantares e etc, sempre sem sucesso. Por fim Sílvio Santos bateu o martelo e disse que não vende a madrugada do SBT.

A crentada chiou na internet. Amaldiçoaram o dono do Baú, disseram que ele vai morrer no fogo do inferno e outras coisas mais. E nós, que não dependemos das palavras desse tipo de gente para ser pessoas boas só temos a comemorar por saber que ainda existem pessoas que dizem não para o dinheiro sujo desses covis  de bandidos que insistem em se chamar igrejas. Ainda tem algumas poucas pessoas que rejeitam o dinheiro conquistado de forma suja, através da ludibriação da boa fé de pessoas ingênuas, que acham que realmente estão contribuindo com a 'obra de Deus'. Ainda existem empresas que preferem trabalhar pelo lucro, ao invés de se aliar a fontes inesgotáveis de dinheiro.

Valeu, Sílvio!

O sucesso de Cordel Encantado



@wesleytalaveira Fazia tempos que eu não acompanhava uma novela. A última que eu acompanhei de verdade, para saber nome de todos os personagens e tudo mais foi A Favorita, principalmente pela atuação da Patrícia Pilar no papel da Flora. E dessa vez eu resolvi acompanhar Cordel Encantado, a novela das 6 que acabou na semana passada. Assisti os primeiros capítulos e gostei. Quando percebi estava assistindo todos os dias, com todos os nomes de personagens de cor e por dentro da trama toda. E vi que eu não fui o único. A novela foi um sucesso de audiência. Poucas vezes uma novela das 6 bateu os 30 pontos no Ibope. Aí me perguntei: dentro de tantas novelas que a Globo já fez, porque Cordel foi esse sucesso todo?

Li numa coluna da Folha cinco fatores que deram sucesso à Cordel Encantado. A forma de filmar com recursos de cinema, completamente nova para uma novela (apesar de o SBT já ter usado esse mesmo recurso, mas quem vê novela do SBT? rs) além do figurino impecável, caracterização perfeita das personagens (cada personagem parecia realmente ser aquilo que interpretou) e elenco muito bem escolhido foram muito importantes para isso tudo. Mas na minha opinião um fator foi o principal pra toda essa repercussão da novela: Cordel Encantado resgatou a inocência nas novelas. A novela teve muitos elementos de conto de fadas; a própria história dos protagonistas, que cresceram juntos e se apaixonaram ainda bem cedo parece um conto. Além disso, a cena de Açucena enfeitiçada e sendo acordada com um beijo pelo namorado lembra uma história beeeem conhecida... rs Quem diria que Branca de Neve iria servir de inspiração para uma novela?

Osmar Prado, o delegado Batoré
Era impossível não rir com o prefeito Patácio Peixoto completamente desajeitado, mas tão sedento de poder que fazia qualquer coisa para parecer homem público - inclusive discursar dentro da cadeia, "na qualidade de prefeito de Brogodó". E o delegado Batoré, que adorava se mostrar como homem forte mas não passava de um covarde nanico desajeitado? Isso sem falar no Quiquiqui, Neuzinha, Farid e "os filhinhas de babai", a história do Eronildes que procurou por tanto tempo o pai e depois foi rejeitado e outros vários. E quem é que nunca sentiu vontade de dar uma porrada no Timóteo Cabral que se sentia um verdadeiro deus? (Aliás, quem nunca viu alguém parecido com Timóteo Cabral na família, na escola, no trabalho?)

Infelizmente a Globo vem a anos empurrando goela abaixo dos telespectadores uma forma de ver a vida bem diferente da realidade. O mundo que a Globo retrata nas suas novelas é uma verdadeira suruba, onde se namora uma, casa com outra e engravida várias. Como se engravida em novela, não é? Pais separam de esposas e transam com amigas das filhas. Mulheres roubam namorado da amiga e são vistas como vencedoras. Homens traem a namorada com a melhor amiga dela e são os "pegadores". Cordel Encantado foi uma novela inocente, que era realmente possível ser vista por qualquer tipo de pessoa. Por mais que teve alguns momentos de pura apelação, tudo isso foi feito envolvido num ambiente tão inocente que nem teve força para chocar alguém. E por favor, não me chamem de moralista, porque isso eu definitivamente não sou. Mas mesmo os mais "moderninhos" concordam que as novelas da Globo estão carregadas de putaria, com o perdão da palavra, mas essa é a que mais retrata o ambiente que a Globo impõe em todas as tramas.

Além disso, as novelas globais são totalmente previsíveis. Você já sabe logo no começo um fim provavel pra cada personagem, pois a mesma ideia já foi usada em várias outras novelas. Está muito claro que a criatividade dos autores parece estar se esgotando. E Cordel conseguiu ser uma novela diferente, inesperada.

Bom, é essa a minha opinião. Se eu vou ver a próxima? Provavelmente não.

O jeito "Modern Family" de fazer humor



Publicado também no Insoonia


@wesleytalaveira Não sei quantos de vocês assistiram ontem o 63° Emmy Awards, mas nas premiações uma coisa ficou clara: o jeito de fazer humor está mudando. Não só nos EUA, mas no mundo.

Modern Family, a série americana criada por Steven Levitan e Christopher Lloyd ganhou nada menos que 5 prêmios ontem, e repetiu o mesmo sucesso de 2010. Tanto que a atriz Jane Lynch, ao assumir a apresentação da premiação, brincou: "bem vindos à premiação de Modern Family". E não é pra menos. O seriado merece todos os prêmios que recebeu. Pra quem não conhece, é o típico modelo de família que, ao mesmo tempo que é diferente de tudo o que vc já viu, é igual a qualquer uma. Um sessentão que se separa da esposa pra ficar com uma imigrante mexicana gostosa de 'vinte e poucos anos', um casal gay com um gordo afetado que adota uma menina vietnamita e o casal Phil e Claire (na minha opinião o melhor da série), que tenta organizar a vida de um jeito normal mas acaba mesmo arrumando confusão em tudo que faz.

O jeito de fazer humor em Modern Family é único. Ao mesmo tempo que mistura os "depoimentos" típicos de reallity show, mostra situações engraçadas que conseguem nos fazer rir de temas delicados, como o preconceito das pessoas com um casal gay. Isso sem falar nas situações constrangedoras do pai Phill, que tenta ser um "pai descolado" para as filhas adolescentes e acaba criando situações engraçadíssimas (uma cena que me faz rir toda vez que lembro é quando o pai 'tenta' conversar com a filha mais velha e pede que ela o veja não como pai, mas como um amigo no barzinho. Nisso uma amiga dela liga e ela diz: não posso falar agora, tem um amigo no barzinho me enxendo o saco). Isso sem falar em um grande mérito da série: consegue nos fazer pensar em temas importantes, como a necessidade de pertencer a uma família, sem ser piegas.

E no Brasil? Lógico, o jeito de fazer humor aqui é muito diferente, pois são culturas e realidades quase opostas. Mas ainda assim acho que falta alguma coisa brasileira com essa pegada de Modern Family, esse humor mais "sutil". Talvez Os Normais tenha sido algo parecido com isso, apesar do humor pastelão. E A Grande Família? Na minha opinião ela deixou de ser engraçada há um bom tempo.

Enquanto não aparece nada tão bom por aqui, vamos nos divertindo com os americanos.

Juliette Lamboley no Brasil



@wesleytalaveira A atriz francesa Juliette Lamboley está no Brasil.

Apesar de ser quase totalmente conhecida por aqui, Juliette Lamboley é uma das principais atrizes da França. Seu papel principal foi a adolescente Eglàntine, no filme 15 Ans et Demi (15 Anos e Meio), a menina problemática que fica sob os cuidados do pai, um importante cientista que quase nunca via a filha e assume de última hora a missão de cuidar da filha.

Julliete está no Brasil para conhecer o país e se preparar para o novo filme que vai protagonizar, inspirado no livro Rouge Brésil, que conta a história da participação francesa na colonização do Brasil. Pelo Facebook ela confirmou que está no Brasil, no Rio de Janeiro.

É uma pena nenhum veículo da mídia ter dado nem uma nota sobre a visita da Juliette aqui, talvez pelo fato de ela não ser muito conhecida. Eu tive o privilégio de dar as boas vindas a ela pelo Facebook, e ainda conversei um pouco em português com ela. Provavelmente eu fui um dos primeiros brasileiros a ficar sabendo que o filme vai ser gravado aqui!!! rs Louvado seja o Google Translator... 

Datena e os "indignados de sofá"


De Nina Lemos, na Folha

"Olha esses bandidos, cadeia neles, esses marginais". A frase, característica do apresentador de televisão Datena, poderia estar na boca de vários outros "cidadãos", como ele mesmo diz, do Brasil. O apresentador, que é a notícia da semana por sair da Band, ir para a Record e voltar para a Band (tudo com salários milionários), é o símbolo máximo do "macho brasileiro revoltado", um tipo de "cidadão" desiludido, "muito homem", cheio de marra, que se orgulha de "xingar mesmo" e "não estar nem aí."

O apresentador se gaba por "não babar ovo de ninguém" e "fazer o que quer". E, quando apresenta seu programa, seja em qual canal for, parece estar com raiva da humanidade.

Muitos são os "datenas" espalhados entre os telespectadores. Essas são pessoas que vivem por aí bradando contra o mundo e os marginais que o habitam. A turma é formada por um tipo de revoltado que provavelmente nunca vai levantar do sofá (e sair da frente da TV) para fazer algo para tentar mudar as coisas que o desagradam.

Os indignados, representados por Datena, são homens que dizem que, se for necessário, saem na porrada (mas não costumam bater de fato) e usam linguajar agressivo. "Esse Caetano Veloso deveria estar comendo grama", disse Datena, o destemido, certa vez.

Em casa, os telespectadores que espumam de ódio quando assistem ao noticiário, achando tudo "uma pouca vergonha", babam de inveja e admiração. Queriam eles poder bradar para o mundo tanto ódio, ao vivo. E com gente assistindo.

Datena é o porta voz dos "indignados de sofá". E, claro, lucra com a miséria humana cada vez que mostra uma mãe chorando um filho morto ou outras coisas tristes e apavorantes. Mas, pensando bem, esse tipo de noticiário é ideal para quem quer gritar que o que vale é mandar todo mundo para a cadeia, que o mundo é horrível e por aí vai.

Não é por acaso que Datena é uma das maiores celebridades do jornalismo brasileiro. Afinal, os indignados do sofá são muitos.

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